O medo de Putin
Opinião

O medo de Putin

  • 1 de Julho de 2026, 09:00

Subitamente, o cenário de guerra na Ucrânia teve algumas surpresas para a Rússia. A determinação do líder ucraniano, o estudo de uma nova estratégia de guerra e a resolução de problemas inerentes às necessidades de armamento, levaram a que os ucranianos reinventassem a sua força e determinação para enfrentar os russos.

A guerra no Médio Oriente entre o Irão, Israel e os EUA, estabeleceram alguma pausa momentânea, pelo menos nas comunicações sociais, mas também na própria guerra com a Ucrânia. As preocupações de Putin passaram, de alguma forma, para o abastecimento de petróleo que necessitava para o país. Sendo um dos interessados na reabertura do Estreito de Ormuz, tentou ajudar o seu aliado, intermediando algumas influências junto dos EUA e do Paquistão, além do próprio Irão.

Não convencendo os EUA das suas pretensões, é certo que Trump informou das ligações que teve com Putin no sentido de acabar com a guerra com o Irão. Mas Trump estava determinado em chegar a um acordo em que saísse vencedor de uma guerra que ele próprio despoletou. A verdade é que se chegou a um acordo onde todas as partes saíram beneficiadas, de alguma forma. Contudo, para os EUA não foi uma vitória. Teve de fazer conceções várias ao Irão e vamos esperar até que ponto é que este memorando de paz vai continuar. Os EUA não conseguiram o que queriam ao enfrentar o Irão e essa é uma constatação.

Aberto, temporariamente, o Estreito de Ormuz, já se nota a descida do preço do petróleo e a possibilidade de um crescimento da economia mundial dependente dos combustíveis.

O que aconteceu, entretanto, nesta espécie de interregno, na guerra com a Ucrânia? Não foi nada favorável a Putin, pois Zelensky melhorou todo o seu sistema e estratégia de guerra e iniciou ataques concertados a infraestruturas importantes no interior da Rússia. Precisamente onde Putin não esperava. A destruição de depósitos de combustível, de refinarias, de pontes, de barcos de transporte de combustível e mesmo os arredores de Moscovo. Putin está aflito e com medo do que possa acontecer. Segundo informações, parece que os altos dirigentes russos já se mudaram de casa com medo de serem mortos ou atingidos pelos drones ucranianos.

Neste momento, a Rússia está a cair nas armadilhas que a Ucrânia lhe armou, especialmente no Donbass. Também a Crimeia está a ficar isolada. Há várias regiões no interior russo, sem combustível ou com racionamento. Mais grave do que isso, há regiões e até em Moscovo, onde a falta de alimentos é uma realidade. Putin acusa a NATO e o Oriente de se preparar para uma guerra aberta contra a Rússia e para o provar diz que os países europeus já reforçaram os gastos e os arsenais militares. Mas isto é uma constatação com algum tempo. Não é de agora, mas do início da guerra que ele iniciou contra a Ucrânia.

Zelensky tem feito a sua parte para acabar com a guerra. Putin não tem aceite nada do que vem de Kiev, mas ultimamente já abriu novas possibilidades de encontros e de iniciação de conversações. Porquê? Porque está com medo do que se possa vir a passar dentro de pouco tempo. Zelensky está furioso com todos este impasse. Fortalecido por novas possibilidades de armamento e pelo facto de estar a conseguir atingir o mais importante para a economia russa e para a manutenção da guerra por Moscovo, continuará certamente a criar problemas graves à Rússia no sentido de isolar a Crimeia e até a ocupar novamente, como recuperar o Donbass e atingir Moscovo com os seus enxames de drones. Putin treme e não sabe o que fazer. A retirada de instalações de vigilância aérea da guerra para perto de Moscovo, é prova desse medo e preocupação de uma proteção mais acurada. Uma fábrica de semicondutores foi atingida por drones ucranianos e destruída quase completamente. A refinaria de Tyumen, na Sibéria ocidental, a mais de dois mil quilómetros da fronteira da guerra e que abastece as forças armadas russas, foi atingida pelos drones ucranianos provocando um duro golpe para Moscovo. O abastecimento da Crimeia, que é feito por três canais principais, também tem sofrido reveses. São a ponte de Kerch, ferroviária e rodoviária, o transporte marítimo pelo Mar negro e o corredor terrestre que passa pelo sul da Ucrânia. Todos eles são altamente pressionados pela Ucrânia.

Se tudo isto surte efeito na população russa, também é facto que o mesmo efeito tem nas tropas na frente da guerra. A população civil, que está a ser cortada no consumo de combustível que vai essencialmente para o abastecimento das tropas, está com muito receio do que possa acontecer.

Putin vê Moscovo a arder e o interior russo a ser atacado nas principais infraestruturas e tem medo. Muito medo. Há uma incompetência visível na defesa e segurança russas que não estava a contar com este tipo de ataques ucranianos. Agora Putin está a deslocar o sistema de segurança e vigilância da frente da guerra para perto de Moscovo. Defender a capital é uma prioridade.
O medo instalou-se no implacável líder russo. O que se seguirá?

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Redação