Feira de São Pedro já abriu portas para promover empresas da região
Abriu portas este fim de semana o Parque Municipal de Macedo de Cavaleiros para acolher a 41ª edição da Feira de São Pedro.
O certame dedicado aos empresários da região atrai muitos expositores de várias zonas da região e do país. O intuito é o mesmo para todos; divulgar os seus produtos.
É o caso de Mário Cancela que é produtor de Vinhos e azeite em Alfândega da Fé. Participa há vários anos na Feira e diz ser uma mais valia para dar a conhecer os seus produtos.
“É um evento e uma montra sempre muito boa para expormos os nossos produtos. Ao ser de um concelho vizinho, eu tenho que representar a nossa região que tendo poucos produtores de vinho me motiva a participar nestes eventos.”
Fernando Trindade e a mulher são de Macedo de Cavaleiros e dedicam-se à produção artesanal de mel, velas e sabonetes. “Temos a nossa produção de mel com os 3 sabores, o multifloral, o castanheiro e a urze. Portanto, a urze é produzida em pleno Parque Natural de Montesinho. Depois temos a produção também da parte de velas à base de cera de abelha”, explicou.
É a primeira vez que estão a participar no certame porque a empresa é recente. Ainda assim conhecem muito bem o potencial da festividade por serem do concelho e por isso garantem que as expectativas são altas ainda que “tudo depende da vontade de quem compra.”
Além de produtos artesanais e da região, a maquinaria de construção e agrícola também está presente no certame. Luís Mangerona veio de Valongo, distrito do Porto, com as máquinas porque considera que é na região transmontana que existe uma grande procura.
“Decidimos apostar em grande e vir divulgar as nossas máquinas, porque há muita procura nesta zona. Estas são máquinas procuradas, essencialmente, para a construção, mas ultimamente a nível da agricultura têm existido muita procura, por isso é que viemos”, referiu.
Luís Mangerona e a sua equipa aproveitaram a feira para dar a conhecer um conceito diferente que, na região não é comum, o aluguer de trator e outra maquinaria pesada.
“Este conceito já existe, mas não há muita divulgação e nós estamos a apostar no conceito e tem corrido muito bem, sem dúvida nenhuma. O aluguer, nomeadamente de tratores, é precisamente para as situações ocasionais. Nós estamos a dar a hipótese às pessoas de alugarem, fazem o seu trabalho, entregam e pronto”, disse Fernanda Mendes.
Mesmo certame, mas um formato diferente
A Feira de São Pedro conta, este ano, com muitas novidades, nomeadamente um novo formato. Ao contrário das edições anteriores, em que o certame decorria ao longo de toda a semana, este ano aconteceu este fim de semana e continua no próximo.
Um modelo que divide opiniões segundo o autarca Sérgio Borges.
“Obviamente que a mudança é boa para uns, menos boa para outros, mas pronto, acaba por ser também uma experiência baseada em alguns certames do nosso país que optaram por este formato, e vamos testar. Obviamente aqui a questão de alguns expositores, nomeadamente da parte dos carros, houve mais queixas, e por isso não encaixa tão bem. Mas no que diz respeito a outro tipo de expositores, até preferem, porque realmente no fim de semana é quando há mais gente e mais adesão. Não conseguimos agradar a todos”, frisou.
Entre os expositores, porém, a perceção é diferente. A maioria encara a alteração de forma positiva e considera que concentrar a feira no fim de semana pode atrair mais visitantes e potenciar as vendas.
É o caso de Mário Cancela que é da opinião que este modelo é “melhor” que o anterior. “Acho muito interessante, horários muito interessantes. Vamos ver agora como é que corre”, frisou.
Também Fernando Trindade é da opinião que este novo formato do certame vai trazer mais gente e considera ser positivo tendo em consideração que os produtos que expõem são feitos à base de mel.
“Os nossos produtos por estarem aqui, por exemplo, de terça até sexta-feira com esta onda de calor, poderiam sofrer algumas alterações a nível de características. Para nós, acho que é benéfico, nesse sentido. Depois já conversámos com outros expositores e também acham, sobretudo que durante a semana, as pessoas trabalham e poderá haver um decréscimo maior de afluência de população”, disse.
Por outro lado, para Luís Mangerona é um modelo mais complicado, como referiu o presidente Sérgio Borges, porque têm de deixar as máquinas no local. “Viemos cá trazer as máquinas na passada quinta-feira, na sexta continuamos a montagem e mal termina, vai ser no próximo domingo, na segunda-feira viemos cá desmontar tudo, quer retirar as máquinas e levá-las às delegações”, contou.
Sérgio Borges acredita que o certame terá um impacto económico positivo no concelho e apontou a restauração como um dos setores que poderá beneficiar com a afluência de visitantes.
“Para já não consigo dizer, mas o mais importante, é que este é um investimento para ter um retorno não só em termos financeiros para todos os expositores que estão cá, mas também para a nossa região e a nossa cidade. Estamos a falar da restauração, da hotelaria, entre outros”, disse, acrescentando que foi com esse sentido que foi feito o investimento na feira, que este ano ronda os 450 mil euros.
Durante a cerimónia de inauguração esteve presente o Ministro da Economia e Coesão. Manuel Castro Almeida sublinhou a relevância destas feiras para a economia nacional, uma vez que permitem às empresas “conviver, partilhar, que tenham oportunidades de se mostrar” e criar sinergia, tendo sido este último apontado como um problema recente nas empresas. “Esse é um dos problemas sérios que nós temos, que estes certames ajudam a resolver. As nossas empresas são demasiado pequenas. A possibilidade de poderem juntar negócios, fazer negócios em comum, é muito importante para o crescimento da economia.”
O responsável pela pasta da economia destacou também a importância dos autarcas se aproximarem das empresas ajudando-as, “sem complexos e preconceitos” de modo a que as mesmas cresçam e que “possam pagar cada vez melhores salários.”
“Quanto maiores são [as empresas], melhores salários pagam. É por isso, não há que ter medo que cresçam, pelo contrário. O trabalho dos poderes públicos é ajudar as empresas a crescer, seja na área industrial, seja na área comercial, seja ao nível da agricultura. Atualmente, as pessoas acham que pode ser imprudente estar a usar as suas reservas. E é preciso tirar este medo e criar confiança para que possam investir. Sem investimento não há rendimento, não há postos de trabalho, não há salários”, disse, acrescentando que além de apoiar o investimento é importante promover a inovação e “ajudar à ligação entre universidades, centros de conhecimento e a empresas e depois valorizar muito as novas tecnologias.”
Ministro defende maior intensidade tecnológica nas empresas
O governante defendeu em Macedo de Cavaleiros que as empresas portuguesas têm de apostar cada vez mais na inovação e na tecnologia, apontando a inteligência artificial como uma ferramenta determinante para aumentar a competitividade.
“É preciso que as empresas tenham cada vez maior intensidade tecnológica. Para isso, a inteligência artificial vai ter um papel fundamental e o Governo vai, com a ajuda das câmaras municipais, fomentar programas por todo o país para ensinar, alertar e despertar as empresas e os trabalhadores para as virtualidades da inteligência artificial”, afirmou.
Manuel Castro Almeida adiantou que o objetivo passa por formar cerca de 100 mil pessoas em todo o país, através de um programa que envolverá universidades, institutos politécnicos e autarquias. “Nós estamos agora a montar um programa muito ambicioso, desde o norte ao sul do país, do litoral ao interior. E aqui, no interior do país, isso vai ser feito com as universidades, com os politécnicos e com as câmaras municipais, que vão ajudar a organizar esses programas de difusão da inteligência artificial”, sublinhou
Combater o despovoamento é uma prioridade do PTRR
O ministro referiu ainda que o Programa de Transformação e Resiliência Territorial (PTRR), que contempla 96 medidas e um investimento de 22 mil milhões de euros até 2034, terá um papel importante no desenvolvimento das regiões de baixa densidade. Segundo explicou, um dos principais objetivos será combater o despovoamento e reforçar a resiliência dos territórios. “Uma das questões principais que temos que lutar é contra o despovoamento. Um território despovoado fica mais livre, por exemplo, para os fogos. Se os fogos encontrarem terreno cultivado, se encontrarem casas, podem parar. Senão é pasto para chamas. Portanto, nós temos que combater o despovoamento. É uma das missões principais do PTRR e por isso ele está muito dirigido para os territórios de baixa densidade”, disse, acrescentando que “não tem dúvidas” que “toda a região de Trás-os-Montes e Macedo de Cavaleiros em particular” vai beneficiar do programa.
Um apoio que o autarca de Macedo de Cavaleiros garante que vai “aproveitar”.
“Ficou bem vincada a nossa vontade de aproveitar este PTRR e não só em termos empresariais, mas também em termos turísticos. Obviamente que ficou em agenda e vai ser uma das questões que vamos colocar em cima da mesa para que se traga para o nosso território e a nossa região mais investimento de modo a que possamos atrair mais pessoas para cá, “concluiu Sérgio Borges.
A quadragésima primeira edição da Feira de São Pedro de Macedo de Cavaleiros conta com cerca de 100 expositores e um investimento que ronda os 450 mil euros.
Durante a semana, o autarca garantiu que haverá mais iniciativas dentro e fora do recinto do certame.














