A falta de confiança
Opinião

A falta de confiança

  • 1 de Maio de 2026, 09:47

Vivem-se tempos difíceis. Num mundo onde todos dependem de todos, já ninguém confia em ninguém.
Alguém comentava, tempos atrás, que se estava a entrar numa nova ordem mundial, mas mais parece que se entra numa nova desordem mundial que Trump criou e acelerou, com a entrada na guerra do Médio Oriente. Completamente desnecessária, este conflito com o Irão, só justificado pelo interesse de Israel, arrastou os EUA para uma cena bélica da qual deverá já estar arrependido. Embora não queira admitir, Trump vai debitando nas redes sociais, as suas decisões momentâneas, prolongando assim uma decisão que em nada o satisfaz e o penaliza politicamente.

Por outro lado, o investimento em armas nucleares aumentou perante uma escalada militar despoletada por guerras como as que se vivem no Médio Oriente e na Ucrânia. Se a guerra da Ucrânia estava a enfraquecer a economia russa, o que se passa no Médio Oriente veio aliviar essa pressão.

Sabemos bem que se vive uma crise energética resultante deste acelerar das guerras em presença e do impasse nas negociações entre os EUA e o Irão. Os combustíveis, petróleo e gaz, começam a escassear e a complicar as redes de transportes aéreos e terrestres. As companhias aéreas já reduziram alguns voos para poupar combustível. Já ninguém confia nos planos para finalizar a guerra com o Irão. As negociações andam aos soluços. Param e arrancam e nada decidem. O mesmo acontece aos combustíveis, ora sobem, ora descem. Ninguém sabe o seu custo no dia seguinte. Tudo depende das afirmações vagas de Trump, como se alguém estivesse dependente delas para ganhar milhões. E até pode ser verdade.

A possibilidade de choques globais amplia-se e a China está a reforçar a segurança com novas regras que ampliam o controlo sobre cadeias de abastecimentos, aumentando a sua capacidade de resposta às sanções. Ela depende e muito, do petróleo que lhe chega do Médio Oriente. O controlo do Estreito de Ormuz, quer pelo Irão, quer pelos EUA, num braço de ferro que não agrada a ninguém, nem ao Irão, está a complicar toda a economia mundial. Os EUA não dependem do petróleo que de lá vai e por isso mesmo, Trump parece brincar com o interesse dos outros. Apesar de estar a perder milhões de dólares por dia numa questão que não lhe interessa, não é capaz de pôr fim a um conflito que ele próprio provocou. O único interessado é Netanyahu.

A Rússia, por outro lado, está a ganhar cada vez mais com a guerra do Médio Oriente. Vende mais petróleo e compensa as perdas económicas que tem tido com a guerra da Ucrânia. Há sempre quem ganhe e sempre quem perca.

Neste contexto, Trump arrisca afundar a sua presidência, já que a guerra com o Irão reflete-se na economia americana, com a subida dos preços da energia, a sua escassez e até a suspensão de voos e medidas de racionamento. Figuras influentes do partido republicano, já se pronunciaram contra esta participação na guerra e começam a surgir críticas e divisões internas. A erosão do prestígio presidencial é visível nas sondagens levadas a cabo por empresas americanas bem conhecidas. As eleições intercalares que se aproximam, podem ditar uma derrota para Trump. Isto poderia levá-lo a equacionar a posição americana no contexto bélico atual, mas o seu ego demasiado cheio, não lho permite. Mais tarde, pode não ir a tempo.

Por outro lado, o Irão também não se quer vergar às ameaças de Trump. Afinal tem tudo o que Trump não conseguiu tirar-lhe. Mantém o seu urânio enriquecido, o seu aparelho militar, os seus mísseis e drones e o controlo do Estreito de Ormuz. Um avanço irresponsável de Trump contra o Irão pode muito bem ditar o seu fim. A quantidade de militares americanos e os porta-aviões que estão já estacionados, numa posição de força americana para intimidar os iranianos, não abona no bom sucesso das negociações. Os iranianos não se deixam intimidar. Trump não tem necessidade disso e já ninguém acredita muito no que diz. Este impasse só pode ser ultrapassado pelo sucesso do que se passar na mesa de negociações no Paquistão.

Entretanto, a Rússia e a China estão expectantes e à espera de uma solução pacífica e que sirva os interesses de todos. Mas parece que ninguém confia muito no que se diz e no que se promete. A verdade é que há uma falta de confiança enorme entre os países envolvidos e não só. O dia de amanhã é incerto e o final do conflito não será tão próximo como Trump sempre diz. Ele nunca diz a verdade. Ninguém acredita no egocentrismo das suas pronunciações.

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Redação