Em Bragança, os 52 anos do 25 de abril foram assinalados com várias iniciativas institucionais, culturais e comunitárias, que decorreram de 23 a 25 de abril.
No sábado, o Auditório Paulo Quintela recebeu a sessão solene da Assembleia Municipal. A cerimónia contou com intervenções de deputados municipais e representantes das freguesias, onde foram abordados vários temas ligados ao concelho e à governação local.
A autarca Isabel Ferreira centrou a sua intervenção na questão da igualdade de género, referindo as dificuldades que as mulheres ainda enfrentam na política e em cargos de decisão.
“A igualdade entre homens e mulheres é muito importante porque eu, enquanto mulher na política, e durante bastantes anos de experiência pública, testemunho como o caminho é mais difícil e, portanto, serve também este dia para homenagear a todas as mulheres que lutam por todas as outras. Para abrir caminhos que são sempre mais difíceis. Há muitas mulheres que, com base no seu mérito, conseguem e exercem cargos de liderança, só que ainda é de facto uma minoria.”
Também a desigualdade territorial esteve muito vincada nas intervenções dos autarcas. Isabel Ferreira afirma que se revê no apelo feito e sublinha que é necessária uma maior representatividade na Assembleia da República.
“É um caminho que ainda é preciso fazer e não o conseguiremos fazer enquanto não mudar a representatividade dos territórios e enquanto a representatividade em órgãos como a Assembleia da República continuar a ser com base na população exclusivamente. Nós precisamos de ter voz, ter voz coletiva e isso é muito importante. E a mesma coisa que foi assinalada também aqui, essa coesão territorial entre interior e litoral também tem que se fazer e portanto revejo-me, completamente, nesse apelo, nesse desafio e estamos a trabalhar para isso.”
No que diz respeito ao reforço da programação dos festejos. Isabel Ferreira explica que o objetivo era assinalar a importância deste dia e fazer com que os mais novos continuem a “honrar” a liberdade.
“Nós temos que estar cada vez mais conscientes de que nada é adquirido e, portanto, prolongar também estas comemorações significa assinalar uma das datas mais importantes da nossa história. Como dizia a senhora deputada da Iniciativa Liberal, que nasceu já no pós-25 de Abril, e teve a preocupação de conhecer a história e de a preservar. É muito importante que os jovens, que têm mais direitos do que as gerações anteriores, continuem a honrar e a lutar para a verdadeira liberdade, a verdadeira igualdade.”
Além da sessão solene da Assembleia Municipal, a praça da Sé acolheu “o mercadinho da liberdade”. Carmo Lopes é professora e artesã, decidiu participar e mostrar aquilo que a faz sentir uma mulher livre.
“Trouxe o meu artesanato, feito com muito amor e carinho. Como artesã, senti-me na obrigação de partilhar a minha arte, que é onde eu me sinto livre”, disse.
Questionada de como é ser mulher e poder sair à rua de forma livre, Carmo Lopes destacou que poder estar na banca a vender “é muito bom, já é ótimo. É dizer que realmente a sociedade está a mudar e viva às mulheres, viva à liberdade, viva quem fez o 25 de Abril. E que as pessoas saibam que a liberdade deles começa onde a do outro acaba”, rematou.
As comemorações da Revolução dos Cravos em Bragança, terminaram com uma sessão de leitura de poemas evocativos em cima da viatura blindada, exposta na praça da sé, para estes dias festivos.
