Abril, Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância
História do Laço Azul
Em 1989, uma mulher norte americana (Bonnie Finney) amarrou uma fita azul na antena do carro, em homenagem ao seu neto, vítima mortal de maus-tratos. Com esse gesto, quis “fazer com que as pessoas se questionassem”. A repercussão desta iniciativa foi de tal ordem, que abril passou a ser o Mês Internacional da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância.
“O Azul funciona para mim como um constante alerta, para lutar pela proteção das crianças”. Bonnie W. Finney
A história que Bonnie Finney contou aos elementos da sua comunidade foi trágica: o seu neto já tinha morrido de forma brutal por ter sido espancamento pela mãe e namorado.
E porquê azul? Porque, apesar do azul ser uma cor bonita, Bonnie Finney não queria esquecer os corpos cheios de nódoas. O azul, que simboliza a cor das lesões, servir-lhe-ia por isso como uma imagem constante na sua luta na proteção das crianças contra os maus-tratos.
Esta campanha, que começou como uma homenagem desta avó aos netos, expandiu-se e, atualmente, muitos países usam as fitas azuis durante o mês de abril, em memória daqueles que morreram ou são vítimas de abuso infantil, como forma de apoiar as famílias e fortalecer as comunidades, nos esforços necessários para prevenir o abuso infantil e a negligência.
Em Portugal, a campanha, simbolizada pelo Laço Azul, é amplamente divulgada por todo o território quer pela Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, quer pelas CPCJ, que realizam numerosas ações de prevenção contra os maus-tratos.
“Serei o que me deres…que seja amor”, é o Slogan da Comissão Nacional para esta campanha.
O Papel das CPCJ na Proteção de Crianças e Jovens em Portugal
A legislação do direito de família em Portugal é bastante rigorosa e conta com regulamentação específica, incluindo a Lei n.º 147/99, de 1 de setembro, na sua atual redação, que estabelece normas para a Promoção e Proteção de Menores (doravante designada por LPCJP). Além disso, existem outras disposições legais que regulam temas como guarda, pensão de alimentos e demais questões relacionadas ao bem-estar das crianças e jovens. De acordo com a Lei n.º 147/99 as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) possuem um papel importante dentro do processo de Promoção e Proteção. Assim, é importante entender o papel da CPCJ e como essa entidade funciona.
CPCJ: A Nossa Missão Coletiva na Proteção do Futuro
No coração das nossas comunidades, existe uma estrutura que muitas vezes só é recordada em momentos de crise, mas cujo trabalho silencioso e preventivo é o pilar da segurança dos nossos cidadãos mais novos: a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ).
Ao contrário do que o senso comum por vezes dita, a CPCJ não é um órgão punitivo nem um tribunal. É uma instituição oficial, de base comunitária, que atua com um objetivo único: promover os direitos e garantir a proteção de crianças e jovens que se encontram em situação de perigo.
O que faz, afinal, a CPCJ?
O papel da Comissão divide-se em dois eixos fundamentais. Primeiro, a promoção: sensibilizar a comunidade para o facto de que as crianças são sujeitos de direitos (à educação, à saúde, ao lazer e, acima de tudo, a crescer num ambiente seguro). Segundo, a proteção: intervir sempre que esses direitos são ameaçados, seja por abandono, maus-tratos físico ou psicológicos, abuso sexual, ou quando a criança é exposta a modelos de comportamento desviantes.
A intervenção da CPCJ assenta no princípio do interesse superior da criança e, sempre que possível, na colaboração com a família. O foco não é afastar a criança, mas sim apoiar o núcleo familiar para que este recupere a sua capacidade de proteger e cuidar.
Uma responsabilidade de todos
A proteção das nossas crianças não se esgota nas instituições. A CPCJ funciona com base no princípio da corresponsabilidade. Isto significa que todos — vizinhos, professores, médicos ou qualquer cidadão — têm o dever de estar atentos.
Muitas vezes, uma sinalização atempada é o que separa uma situação de risco de uma tragédia evitável. Proteger uma criança não é “meter-se na vida dos outros”; é garantir que o futuro da nossa terra cresce com dignidade e segurança.
Como pedir ajuda ou sinalizar?
Se conhece uma criança em situação de risco ou se, enquanto pai ou cuidador, sente que precisa de apoio para garantir o bem-estar dos seus filhos, a CPCJ local está disponível para ouvir, orientar e agir.
Cuidar das nossas crianças é, no fundo, cuidar do destino da nossa própria comunidade.Porque uma sociedade que protege os seus menores é uma sociedade com futuro.
CPCJ Bragança: Uma Missão de Todos pela Proteção do Nosso Futuro
No seio da nossa comunidade transmontana, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Bragança assume-se como um pilar essencial na defesa daqueles que são o nosso bem mais precioso. Num concelho que se orgulha da sua proximidade e espírito de entreajuda, é fundamental compreender o papel desta instituição na promoção dos direitos das crianças.
Ao contrário de uma ideia por vezes errada, a CPCJ de Bragança não é um tribunal nem um órgão punitivo. É uma instituição oficial, não judiciária, com autonomia funcional, que atua em parceria com as forças vivas da nossa terra para garantir que nenhuma criança ou jovem cresça em situação de perigo.
Uma responsabilidade partilhada
A proteção das nossas crianças não é tarefa exclusiva das instituições. No concelho de Bragança, a segurança dos nossos menores depende do olhar atento de cada vizinho, professor, médico ou cidadão comum.
Sinalizar uma situação de risco não é um ato de denúncia hostil, mas sim um gesto de cuidado e cidadania. Muitas vezes, é o primeiro passo para que uma família receba o apoio de que necessita e para que uma criança possa recuperar o seu direito à felicidade e segurança.
Novos Desafios: O Perigo no Mundo Digital
A proteção hoje vai muito além do que acontece dentro de casa ou na rua. Com o acesso generalizado à tecnologia, a CPCJ de Bragança está atenta aos perigos do mundo digital, que podem ser tão reais e prejudiciais como os riscos físicos. Entre os cenários que exigem a nossa atenção, destacam-se:
- Cyberbullying: A perseguição e humilhação entre pares através das redes sociais.
- Exposição Inadequada: O acesso a conteúdos violentos, sexuais ou que promovem comportamentos de risco (como os desafios virais perigosos).
- Grooming: A aproximação de adultos com intenções maliciosas através de perfis falsos.
- Dependência Online: O isolamento social e a falta de supervisão no uso de ecrãs, que prejudicam o desenvolvimento saudável e o rendimento escolar.
Áreas de Atuação Tradicionais
Além da vertente digital, a CPCJ continua a intervir em situações críticas de:
- Maus-tratos físicos ou psicológicos.
- Negligência: Falta de cuidados básicos de saúde, higiene ou alimentação.
- Abandono Escolar: Garantir o direito fundamental à educação.
- Exposição a violência doméstica: Proteger a saúde emocional de quem assiste a conflitos graves no núcleo familiar.
Como contactar em Bragança?
Pode pedir orientação ou comunicar uma preocupação com total confidencialidade:
- Portal Online: Através do formulário de sinalização no site da CPCJ Bragança (cpcj.cm-braganca.pt).
- Atendimento Local: Contacto através dos serviços da Câmara Municipal (273300844)
- Emergências: Fora do horário de expediente, contacte a PSP ou a GNR.
Proteger as crianças de Bragança é garantir o futuro da nossa região. Esteja atento e colabore.
