O Golfo em fúria
Opinião

O Golfo em fúria

  • 8 de Abril de 2026, 10:02

São necessários dois parceiros para se dançar o tango e Israel convenceu os EUA para dançar e este aceitou por falta de outro convite mais agradável.

Na verdade, os americanos não conseguiram convencer os russos a fazê-lo. Putin mostrou-se um parceiro muito calculista e desajeitado e Trump não conseguiu dar os passos certos sem pisar o seu par. Sem par credível e satisfatório, Trump virou-se para a Venezuela e resolveu comandar a dança. Não se saiu muito mal, embora tenha infligido uma série de leis internacionais, o que para ele não tem grande importância. Conseguiu subjugar a Venezuela e convencer os venezuelanos que estavam em segurança e que tudo iria ser melhor futuramente. Para quem?

A vinte e oito de fevereiro iniciou-se o conflito no Golfo com o ataque surpresa ao líder supremo Ali Khamenei que acabou por ser eliminado. Este acontecimento poderia levar à queda do regime, mas não. Seria um ataque para durar pouco tempo e o suficiente para travar o enriquecimento nuclear que poderia pôr em causa a sobrevivência de Israel, pois não faltava muito para ter o mínimo para fabricar oito bombas atómicas.

O que parecia fácil tornou-se difícil e surgiram os imponderáveis. As consequências estão a ser devastadoras. O Golfo está a ferro e fogo.

Israel está em pânico. A sua sobrevivência como Estado e país, está a arrastá-lo para uma enorme fogueira onde se pode queimar seriamente. Se, por um lado, isto interessa aos americanos, já que têm muitas bases na região e precisam mantê-las e assegurar a sua supremacia no Médio Oriente, por outro, interessa mais a Israel que se vê ameaçado pelo Irão que jurou tirar Israel da face da terra. Mas as consequências são imprevisíveis.

Atacado por todos os lados, Netanyahu agradece o apoio dos EUA, mas não vale tudo. O Irão, o Hezbollah, os Houtis e o Hamas, são inimigos demasiado presentes e fortes para descartar. Os rebeldes do Iémen acabaram por entrar na guerra e lançar mísseis contra Israel. Avisaram os EUA da situação e dos perigos que correm daqui para a frente. Isto pode levar a maiores perturbações no Mar Vermelho e complicar ainda mais o comércio mundial.

No sul do Líbano, Israel continua a bombardear o Hezbollah, destruindo território que não lhe pertence, o que desagrada fortemente ao governo libanês. Mas Israel bombardeia tudo e todos e acabou por matar três jornalistas estrangeiros, o que configura uma violação dos direitos internacionais. Afinal para que servem as Convenções Internacionais? Todos parece esquecerem a Convenção de Genebra!
O Conselho de Paz de Trump propõe o desarmamento do Hamas em oito meses. Então o que era para ontem já passa para daqui a oito meses? E o fim da guerra do Irão é para quando? E como vai ser?
Como se isso fosse pouco, Trump virou-se para Cuba e já ameaçou que depois da guerra do Irão, o próximo passo será Cuba. Porquê? Que mal lhe fez Cuba?

Trump tem uma adoração especial por guerras de curta duração, mas a verdade é que nem terminou com nenhuma, como diz, como ainda arranja mais para se distrair. Quem paga tudo isto? Pagamos todos nós e não é pouco. Agora o Golfo está em fúria, mas a concretizarem-se as ideias de Trump, a fúria vai instalar-se também no Golfo do México. Afinal o homem que apregoa a paz, só faz guerras. Até quando?

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Redação