Combustíveis disparam e ameaçam transporte de doentes dos Bombeiros de Bragança
O recente aumento do preço dos combustíveis está a gerar apreensão na corporação dos Bombeiros de Bragança, sobretudo pelo impacto direto que poderá ter no transporte de doentes urgentes e não urgentes, um serviço essencial numa região marcada pela interioridade e pela distância aos grandes centros hospitalares. O comandante dos Bombeiros de Bragança, Carlos Martins, já faz contas às despesas e vê a fatura a aumentar. Admite que a subida dos custos já está a ser sentida e que a situação poderá agravar-se nos próximos tempos. “Começámos a fazer contas depois do segundo aumento quase consecutivo do combustível e a preocupação reflete-se no facto de sabermos que vamos pagar mais, mas continuar a faturar o mesmo”, explicou.
O problema reside no facto de o valor pago por quilómetro estar fixado por lei e não acompanhar a escalada dos preços dos combustíveis. “Atualmente, o preço encontra-se tabelado em 66 cêntimos por quilómetro, podendo variar ligeiramente consoante o tipo de viatura”, referiu.
Diariamente, a corporação brigantina realiza, em média, cerca de 6.000 quilómetros para assegurar o transporte de doentes para unidades hospitalares fora do distrito. Até agora, os custos mensais com combustível rondavam os 25 mil euros, mas com os aumentos recentes, esse valor deverá subir para cerca de 31 mil euros, ou seja, mais seis mil euros por mês.“Fazemos os mesmos quilómetros e pagamos mais pelo combustível, mas recebemos exatamente o mesmo e é óbvio que isso nos preocupa”, sublinhou Carlos Martins.
Ainda que o cenário não seja o melhor, o comandante garante que, para já, a corporação tem capacidade para continuar a assegurar o serviço. Mas reconhece que a situação poderá colocar em causa a sustentabilidade desta atividade a médio prazo, à semelhança do que já acontece noutras regiões do país. “Sabemos que há corporações que já deixaram de fazer este tipo de transporte por não ser rentável e com o agravamento do preço do gasóleo, menos rentável fica”, alertou.
O comandante apontou que uma eventual solução poderá passar por medidas de apoio governamental, nomeadamente a bonificação do gasóleo, evitando assim alterações frequentes ao preço por quilómetro. No entanto, remete as negociações para a Liga dos Bombeiros de Portugal. Enquanto isso não acontece mantém-se o compromisso com a população. Numa região onde muitos doentes dependem destes transportes para consultas e tratamentos, muitas vezes no Porto ou em Vila Real, a interrupção do serviço teria consequências graves. “Há pessoas que esperam meses por consultas e não podem falhar. Muitos tratamentos oncológicos são feitos fora de Bragança e têm de ser cumpridos com regularidade”, reforçou Carlos Martins.
Com uma frota de 34 ambulâncias, responsáveis pela maior fatia do consumo de combustível, os Bombeiros de Bragança asseguram diariamente ligações a unidades como o IPO, o Hospital de São João ou o Santo António.
Para já, a corporação mantém o serviço em funcionamento, mas o aumento contínuo dos custos levanta dúvidas sobre o futuro. A sustentabilidade financeira poderá vir a ditar mudanças num serviço que é essencial para muitas famílias do distrito.
