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“Estamos aqui para servir a Confraria”

“Estamos aqui para servir a Confraria”
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  • 15 de Julho de 2008, 09:18

Jornal Nordeste (JN) – Como surgem as festas na sua vida e qual a sua disposição para continuar a assumi-las?
Manuel Barreira (MB) – As festas surgem pelo convite do Dr. Rui Magalhães para fazer parte da sua Comissão de Festas, um convite que agradeço e muito me honra. Depois o Dr. Rui teve situações inadiáveis que o impediram de continuar a realizar as festas e foi nessa altura que resolvi formar a minha equipa e assumir as festas da minha cidade e de Nossa Senhora do Amparo.

JN – Na sua Comissão de Festas não predominam muito os títulos académicos, é praticamente tudo empresários e trabalhadores por conta de outrem. Isso tem favorecido as obras de requalificação do Santuário e recinto?
MB – A Confraria estava habituada a ter doutores e engenheiros como juízes, pois só os magnatas da cidade a podiam administrar até que ao momento que eu resolvi assumir o cargo. Sou industrial, mas fui trolha durante grande parte da minha vida e não me arrependo e muito menos me envergonho de o dizer. Reuni o grupo dos meus amigos e avisei-os logo que íamos fazer as festas mas tínhamos que ser nós a recuperar a parte mais difícil, porque o dinheiro não sobra e não estou a ver muitos voluntários na cidade. Eles aceitaram, foram-se entusiasmando e dedicam os seus tempos livres ao serviço da santa e temos uma obra que já se pode ver. Alguns serviços foram adjudicados a empreiteiros, porque envolviam exigências técnicas. Ainda falta muita coisa em relação ao que nos propusemos, mas quem viu o santuário na altura em que entramos e o vê agora está um autentico ex-libris da cidade. Nós não queremos ganhar nada, não queremos taças nem medalhas, pretendemos, apenas, dignificar o santuário, para quando as pessoas cá vierem se sentirem bem e apreciarem o nosso trabalho. Não estamos aqui para nos servirmos, mas para servir a confraria, ao contrário de elementos que já passaram por aqui. Alguns até nos perguntam onde vamos buscar o dinheiro para tantas obras…

JN – Qual é o vosso segredo para conseguirem aquilo em que muitos fracassaram?
MB – É muito fácil! Não vamos para a Madeira, não fazemos pactos com fogos de artifício, não vamos passar férias ou seja o que for com membros que fazem a iluminação ou outros serviços. Nós queremos que quem venha trabalhar connosco o faça honestamente, dignificar o santuário, optando pela melhor proposta e pela mais barata e de preferência da cidade, porque é com eles que vivemos e onde fazemos os peditórios para as festas. Não fazemos nada sem pedir vários orçamentos e naquilo que nós podemos fazer não gastamos um cêntimo à santa. Só assim conseguimos fazer as obras que estão aqui. Com dinheiro não é difícil fazer, difícil é fazer como nós fazemos.

JN – Com o trabalho levado a cabo e com uma politica que privilegia o comércio local, sentem que “feed back” da parte dos comerciantes e da população ou esperam pela noite dos bombos para conferir?
MB – O comércio está praticamente todo do nosso lado, à excepção de dois ou três magnatas. Eu considero magnatas os que sempre impuseram as suas ideias e os seus interesses, que sempre deram a quem quiseram a receita da noite dos bombos e as despesas era sempre a confraria que assumia. Por isso, retiramos do cartaz a noite dos bombos, espero que os bombos mantenham a tradição mas só não quero que seja o pouco dinheiro da santa a custear a segurança da cidade, que não fica barata nessa noite.

“Não fazemos nada sem pedir vários orçamentos e naquilo que nós podemos fazer não gastamos um cêntimo à santa”.

JN – Outro mérito que ninguém vos tira é terem conseguido orçamentar a indemnização com o sinistro da cana do foguete, embora haja novos desenvolvimentos que não são nada agradáveis para as vossas finanças…
MB – Bastaria que quem estava cá na altura tivesse tido a posição que se impunha perante a acção judicial e nunca se teria chegado a este volume de verbas. Por outro lado, era bom que fosse dado um valor final quanto ao que temos de pagar para terminar a indemnização e não estarem sempre a aparecer mais compromissos com o mesmo acidente. Para além da indemnização que estamos a pagar na ordem dos 30 mil euros e a partir do próximo ano passarão a ser mais 3365 euros, fizemos uma festa que o nosso presidente da Câmara louvou, considerando terem sido das melhores festas que se realizaram na cidade. Este ano, com os mesmos 4 mil euros do ano passado estamos a preparar dentro das nossas limitações uma festa com toda a dignidade que a santa e a tradição impõem e os mirandelenses e forasteiros merecem. Vamos mudar alguma coisa no figurino, tentando poupar dinheiro e aumentar a qualidade, sem mexer na qualidade e tempo de fogo de artifício, porque é uma das coisas mais apreciadas.

JN – Pois, mas a deslocalização da festa está a gerar alguma polémica. Que comentário faz?
MB – A festa, a concentração motard que encheu Mirandela, como tudo que crie movimento na cidade é bom para os comerciantes. Todos ganham e por isso contamos com o apoio dos comerciantes, dos mirandelenses e do presidente da Câmara que nos tem ajudado e muito. Quanto à deslocalização das festas o tempo e a experiência o dirá se o espaço não poderá vir a ser ainda mais nobre. Há comerciantes que estão contra isto e já vieram falar connosco, não sabemos como vamos fazer e como vamos agir daqui para a frente. Estivemos sempre do lado de José Silvano na boa fé.

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