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Moncorvo semeia para colher

Moncorvo semeia para colher
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  • 22 de Julho de 2008, 09:50

Jornal Nordeste (JN) – Qual o balanço que faz da primeira época do GD Moncorvo no futebol de 7?
Sílvio Afonso Carvalho (SAC) – Ao entrarmos este ano no futebol de 7 decidimos apostar na formação. Era uma limitação que havia e que nós tentamos colmatar com a entrada no campeonato com uma equipa de Escolas e outra de Infantis. É uma competição que permite aos jovens a integração no clube, podendo mostrar as suas potencialidades, mas o mais importante é os jovens praticarem desporto.
JN – Actualmente qual o número de atletas a praticar desporto nas camadas de formação?
SAC – Actualmente são cerca e 80 atletas, quase todos do concelho de Moncorvo, mas para o ano vamos também apostar em atletas de fora do concelho, com o objectivo de atrair jovens para a prática desportiva.

JN – O que falta fazer na região ao nível dos escalões de formação?
SAC – Ao nível das camadas de formação ainda há muito para fazer, mas em Moncorvo estamos a trabalhar bem neste campo. Está-se também a pensar na criação de um centro de formação para jovens, onde estes possam ficar e onde possam seguir os seus estudos com acompanhamento, e ao mesmo tempo fazerem a sua formação a nível futebolístico aqui em Moncorvo. Se queremos mais jogadores da terra nos plantéis seniores é preciso apostar na formação e é nesta base que a nível local se estão a reunir esforços para melhorar ainda mais as infra – estruturas nos escalões jovens, esperemos que esta aposta venha a surtir efeito.

“Se queremos mais jogadores da terra nos plantéis seniores é preciso apostar na formação”

JN – Quais os pontos negativos que encontrou nesta competição?
SAC – O ponto negativo que eu vejo nesta competição é o facto de as equipas que não se apuram para a 2ª fase não terem direito de continuar em prova. Era bom que a AF Bragança pensasse em criar um campeonato para as equipas que ficam logo eliminadas, era uma maneira dos atletas progredirem, porque o que aconteceu este ano às equipas que não passaram foi que ficaram estagnadas. Não tiveram oportunidade de evoluir e é para este campo que a AF Bragança tem de olhar, pois as equipas que ficam eliminadas logo na primeira fase dão um passo atrás em relação às que continuam em prova, dai ser um modelo que deve ser revisto.

JN – Falou-se muito da má qualidade das arbitragens nos escalões jovens. O que tem a dizer sobre este assunto?
SAC – De facto este ano houve arbitragens que não foram felizes nestes escalões. Vimos árbitros de Bragança a arbitrar jogos de equipas de Bragança e árbitros de Mirandela a arbitrar jogos de equipas de Mirandela. O que a AF Bragança diz é que é para poupar nas deslocações, mas acho que isso deveria ser revisto, pois há equipas que saem lesadas. Por isso, seria preferível gastar mais dinheiro, mas ter melhores resultados a este nível. Há jogos em que os miúdos saem um pouco revoltados com as arbitragens, pois sentem que o resultado poderia ter sido outro. Nestes escalões as arbitragens deveriam ser isentas para dar o exemplo aos atletas, pois estamos perante jovens que estão a dar os primeiros passos no mundo do futebol. Por isso acho que a AF Bragança tem de fazer algumas mudanças a este nível.

JN – Quais os objectivos para a próxima temporada?
SAC – O mais importante nestes escalões é a evolução que os atletas vão fazendo de ano para ano, para que mais tarde sejam uma base de sustentação para o plantel sénior. Por isso, um dos nossos objectivos é que um dia estes atletas possam vir a integrar o plantel sénior. Para a próxima temporada vamos entrar com duas equipas de escolas “A e B”, e com Infantis. O concelho de Moncorvo começa a ter muitos jovens interessados a praticar desporto, daí a criação de mais equipas. Em princípio também entraremos no campeonato com uma equipa de iniciados. Os treinos iniciam-se a 6 de Setembro.

JN – Sente – se satisfeito com o trabalho desenvolvido esta temporada? Acha que foram feitos progressos nas camadas de formação ao nível do concelho?
SAC – Só o facto de termos iniciado a formação nos escalões de escolinhas e infantis já é um progresso. Sinto que se cometeram alguns erros, mas também se fizeram coisas bastante positivas, como por exemplo a passagem das escolinhas à segunda fase do campeonato. Estamos a progredir na formação e os miúdos sentem isso. Em Moncorvo estamos a apostar forte neste domínio e já temos projectos em vista como o centro de formação para jovens que citei atrás. Para as próximas temporadas também contamos ter o campo sintético, mas para a formação progredir é preciso que a AF Bragança olhe mais para ela, que veja os escalões de formação como um futuro para o desporto da região.

“Há jogos em que os miúdos saem um pouco revoltados com as arbitragens, pois sentem que o resultado poderia ter sido outro”

JN – Como atleta do GD Moncorvo e agora como responsável pelas camadas jovens acha que o jogador de futebol nasce com o destino traçado para esta modalidade ou o futebol é uma coisa que se aprende como tantas outras?
SAC – Há os que nascem para o futebol e esses são os chamados craques que bem trabalhados podem ter um grande futuro na modalidade e há outros que apenas estão no futebol para conviverem e praticarem um pouco de desporto. Uns nascem já com apetência para serem grandes futebolistas, outros apenas para desfrutarem do futebol como um desporto único.

Vítor Aleixo

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