“Temos que mostrar um cartão vermelho à Câmara”
Jornal NORDESTE (JN) – Este ano é novamente juiz da Festa de Nossa Senhora das Dores. Quais são as novidades do cartaz deste ano?
José Sena (JS) – Temos um orçamento de 60 mil e euros e penso que vamos conseguir organizar umas festas bem ao gosto do povo de Argozelo. Além dos espectáculos musicais e das tradições religiosas, temos um torneio de petanca bem dentro do espírito dos nossos emigrantes, e torneios de sueca e de futebol de salão. Na sexta-feira, temos a procissão que marca o início das festas, tal como no sábado e domingo, em que decorrem duas majestosas procissões que o povo adora.
Em termos musicais destaco as actuações do grupo Melodia, do KGB e do José Cid, um artista de renome que vem a Argozelo no sábado. No domingo vamos ter seis fadistas da região, seguindo-se um baile para animar a noite. Vamos ter também a tradicional quermesse, três noites de fogo de artifício e queremos mesmo é que as gentes de todo o concelho adiram às nossas festas.
Destaco também três actuações da Banda de Música de Vimioso, que muito dignifica o concelho e por isso fizemos questão de a escolher, porque é uma das coisas boas que temos.
JN – Como é possível suportar um orçamento desta natureza?
JS – Bem, o dinheiro da festa tem que sair do povo de Argozelo, com peditórios, quermesse, bares, arraiais com grupos ao gosto de todos e, claro, o contributo monetário de todos os mordomos. Temos uma equipa feita de amigos, em que a maioria já me acompanhou em 2001. O juiz da festa de Nossa Senhora das Dores sou eu, o juiz da Festas de Santa Bárbara é o Arnaldo, que está em Angola a trabalhar e só poderá estar no São Bartolomeu, mas estará com todos em espírito. A mordoma das meninas é a Sofia. Somos um grupo de cerca de 50 pessoas de todas as idades que está a trabalhar o melhor que pode para organizar umas festas dignas.
Em 2001 o orçamento já andou à volta dos 60 mil e conseguimos arranjar o dinheiro, de modo que o trabalho não nos assusta.
JN – Apesar do ambiente ser de festa, em Argozelo vivem-se momentos de alguma preocupação motivados pela renúncia ao mandato por parte do presidente da Junta…
JS – Está-me a apanhar de surpresa porque ainda não tive oportunidade de falar com o Luís sobre os motivos que o levaram a deixar o cargo. De qualquer forma compreendo a sua decisão, porque deduzo que as suas razões sejam as mesmas que me levaram a não ser candidato há 3 anos. Aliás, até o disse na altura ao Luís, quando ele anunciou a sua candidatura, porque senti que não valia a pena estar na Junta a trabalhar sem o devido apoio da Câmara.
Se os motivos são a defesa dos interesses do povo de Argozelo, o Luís teve uma atitude muito digna. A verdade é que os executivos que têm passado pela Câmara de Vimioso não fazem obras em Argozelo, apesar de ser uma vila de gente empreendedora e de ter 1.000 eleitores. Sem eles, talvez Vimioso nem fosse concelho! Por isso, a nossa terra tem legitimidade para reivindicar equipamentos e serviços, de lutar para que não vá tudo para Vimioso. Dou o exemplo das festas. Nas de Vimioso a Câmara financia em 30, 40 ou 50 mil euros e, à excepção do Festival Celta de Santulhão, não há verba mais nenhuma festa no concelho. Pelo menos para Argozelo não há!
“Argozelo não tem que ter PS, nem PSD, nem CDS. Tem que ter uma lista de homens que queiram levar a vila para a frente, lutando contra o poder instalado”
JN – De 2001 a 2005, em que presidiu à Junta de Freguesia, sentiu que a Câmara de Vimioso não investia em Argozelo?
JS – Senti isso na pele. Em 4 anos o pouco que se fez em Argozelo foi à custa de muita insistência. A não ser os largos que eram um projecto da Rota da Terra Fria, eu pergunto o que é que a Câmara fez em Argozelo nos últimos 7 anos? Fez-se um polidesportivo que muitas aldeias já têm e a rotunda na zona do Calvário foi feita muito à custa da Junta. Não há investimento que faça justiça aos 1.000 eleitores de Argozelo, que para a Câmara representam uma fatia muito grande das verbas do Estado.
Sei que ao Luís prometeram obras de vulto na cortinha e nada foi feito.
Isto já não é de agora, infelizmente. Argozelo tem razão de queixa de todas as Câmaras ainda antes do 25 de Abril. Não é uma terra onde se criaram serviços e equipamentos como existem noutras vilas como Sendim, Izeda e Torre D. Chama.
Quando estive na Junta reivindiquei serviços para evitar que as pessoas tenham que ir a Vimioso por tudo e por nada, uma retro-escavadora com um funcionário da Câmara para fazer trabalhos em Argozelo, Carção e Santulhão, mas a Câmara nunca aceitou.
Mesmo no ensino querem concentrar tudo em Vimioso, quando podiam criar um pólo em Vimioso e outro em Argozelo para acolher as nossas crianças e as de Carção, Santulhão, Matela e Avinhó.
JN – Mesmo quando o Eng. António Oliveira, que é natural de Argozelo, estava na Câmara a tempo inteiro tempo inteiro havia essa falta de investimento?
JS – Ainda estão por esclarecer os motivos da saída do vereador António Oliveira, QUE por muitos presidentes de Junta era considerado como uma das pessoas que mais trabalhava pelo concelho. Algo não bate certo. O pior é que cada vez se ouve falar menos de Vimioso, e muito menos pelas obras que são feitas. Eu dou-lhe o exemplo de presidentes de Câmara que foram eleitos há 3 anos, como é o caso do Américo Pereira em Vinhais. Nestes últimos 3 anos ouve-se falar de Vinhais em tudo o que é sítio, inclusive na televisão. Em Vimioso parece que nada mexe. O aproveitamento das águas da Terronha e as mini-hídricas, por exemplo, são projectos que podiam gerar rendimento, mas não passam de promessas, ao contrário do que se passa noutros municípios.
Vimioso só é notícia quando a Câmara entrega os 500 euros aos bebés ou quando o assunto é a desertificação e a falta de gente.
JN – Agora perspectivam-se novas eleições para a Junta. Pondera ser candidato?
JS – Não, mas garanto que vou estar do lado do povo de Argozelo. Penso que duma vez por todas Argozelo tem a palavra. Contra tudo e contra todos a vila tem que se unir e lutar contra a falta de investimento da Câmara Municipal. Não é lutar contra as gentes de Vimioso, que são nossos irmãos, mas exigir melhores condições na nossa vila.
Argozelo não tem que ter PS, nem PSD, nem CDS. Tem que ter uma lista de homens que queiram levar a vila para a frente, lutando contra o poder instalado. A Câmara já provou que não quer nada com Argozelo, então nós temos que dar um cartão vermelho ao senhor presidente e vice-presidente da Câmara de Vimioso. É a única solução, mas temos que nos unir contra as pessoas que não querem o bem de Argozelo.

