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O Trapezista

O Trapezista
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  • 12 de Agosto de 2008, 11:17

Em cinco meses – de Outubro a Abril, os Mirandelenses assistiram ao exercício de equilíbrio do presidente de Comissão Política do PSD, Dr. Silvano. Vemo-lo, energicamente, com a confiança de um trapezista que inicia um aparatoso salto, passar de mero dirigente local à ribalta da política nacional. Posiciona-se logo na lista de candidatos a deputados, rejeitando com a segurança das grandes decisões, de imediato, a colocação de uma figura nacional, como Duarte Lima na lista de candidatos do PSD por Bragança. O primeiro lugar estava-lhe reservado e seria assegurado, pela presença sua no Conselho Nacional do PSD, liderado pelo Dr. Luís Filipe Menezes.
Neste entretanto, o lugar de candidato à Câmara de Mirandela pelo PSD, passou a estar ocupada pelo Eng. Branco, que, de eterno número 2, via agora brilhar a sua estrela de oportunidade e se preparava ele próprio para iniciar o seu aparatoso salto de trapézio, claro que sob o olhar complacente da nova figura política nacional.
Começaram-se a fazer contas, confessaram-se os interesses na Assembleia da República, assumiram-se as posições de política regional e nacional e passou a ser notório o afastamento político das questões locais.
Mas quando se voa entre trapézios, é fundamental garantir a solidez e o rigor do exercício, para que não termine em desastre…
Com a demissão de Luís Filipe Menezes, por coincidência, logo após uma visita ao distrito de Bragança, que traduziu o último fulgor da nossa nova estrela política, desequilibraram-se as contas, desmoronaram-se os planos, e posicionaram-se novos equilíbrios. Porém, a última cambalhota, ainda não tinha acontecido. Faltava ver como iria aterrar o nosso trapezista…
Mudança de cenário, mudança de artista. Numa jogada de antecipação, posiciona-se agora uma nova estrela no firmamento regional do PSD.
No distrito, a candidatura de Manuela Ferreira Leite é representada pelo Eng. Jorge Nunes e após as eleições, é ele o escolhido para membro do Conselho Nacional do PSD. O Dr. Silvano apoia, desta vez em segunda linha, uma líder que se assume contra a regionalização, os grandes investimentos nacionais, particularmente as infra-estruturas e a baixa de impostos, especialmente no interior. Exactamente o refrão do momento de glória do Dr. Silvano, como político nacional, no comício do PSD em Mirandela. Se não estivéssemos, neste artigo, a falar de trapezistas poder-se-ia dizer que pela boca morre o peixe…
Este é o momento em que os Mirandelenses devem perguntar se o investimento na Auto-estrada A4, apelidada pelo Primeiro-Ministro como “um acto de justiça para com os Transmontanos”, ainda é apoiado pelo Dr. Silvano. É justo saber se, ainda mantém a defesa da regionalização ou se, ao sabor das diferentes lideranças internas, altera as suas opiniões. Não seria inédito. Seria bom que continuasse a assumir o apoio à diminuição do IRC, para as empresas do interior…mas cuidado que a nova líder pode não gostar dessas posições…
Num golpe mal calculado, o trapezista caiu, perdeu a esfera nacional, e foi ultrapassado. Continua com as cambalhotas e tenta agora o equilíbrio local. Um equilíbrio que também o pode desequilibrar pois o trapezista pode cair outra vez.

Júlia Rodrigues

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Redação