Mercadores invadem Puebla de Sanabria
Tudo começou em 1991, quando o Ayuntamiento de Puebla de Sanabria, por via de duas escolas-oficina em carpintaria e cantaria, começou a recuperar as fachadas, telhados e varandas dos imóveis do casco histórico. A intervenção terminou em 1996 e, na altura, a autarquia sentiu que a revitalização da zona mais antiga da vila criou condições para acolher um certame capaz de recriar o ambiente medieval. A ideia resultou e, no passado fim-de-semana, foram 123 os expositores que encheram as ruas da vila, comercializando artesanato e promovendo a gastronomia à moda de outros tempos. “Em toda a zona de Castilla y León não há um mercado medieval desta envergadura”, assegurou ao Jornal NORDESTE o alcalde de Puebla de Sanabria, José Fernández Blanco.
No leque dos “mercadores” presentes destaque para a participação de três artesãos portugueses (ver caixa) “o que revela que o nosso mercado já se está a abrir ao outro lado da fronteira”, salienta o autarca.
“As pessoas perceberam que as casas recuperadas valem muito mais. O centro histórico ganhou nova vida”
E para que Portugal e Espanha estejam mesmo em sintonia, no próximo ano José Fernández Blanco quer coordenar o evento com o município de Bragança, para que o mercado sanabrês não coincida com a Festa da História bragançana, que também decorreu nas mesmas datas. São coisas distintas e que se complementam. O nosso mercado é muito mais de venda de artesanato e gastronomia, enquanto o de Bragança é mais espectáculo”, considera o responsável.
O casco histórico de Bragança e de Puebla de Sanábria também se encarregam de vincar as diferenças entre os dois certames. Enquanto na cidade transmontana existem inúmeros imóveis ao abandono, o centro da vila espanhola ganhou vida após as obras de reabilitação, sendo um local de forte concentração de cafés, restaurantes, unidades de alojamento e lojas de artesanato. “As pessoas perceberam que as casas recuperadas valem muito mais. Antes estavam desabitadas, mas hoje estão ocupadas e valorizaram muito, de modo que o centro histórico ganhou nova vida”, explica José Fernández Blanco.
Por outro lado, a criação de dois regulamentos urbanísticos por parte do Ayuntamiento veio definir as regras para intervir na zona histórica, de modo a obrigar os proprietários dos imóveis a utilizar os materiais tradicionais nas obras de restauro, tais como a madeira e a cantaria.

