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Os mineiros de Murçós

Os mineiros de Murçós
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  • 26 de Agosto de 2008, 09:19

Chegados a Murçós, a 18 quilómetros de Macedo de Cavaleiros, é hora de passear por pequenas ruelas povoadas por casas outrora cheias de vida, mas que, actualmente, não passam de retratos abandonados e esquecidos.
Após dois dedos de conversa com qualquer habitante, é fácil perceber que a história da localidade é inseparável das minas que, em tempos idos, deram vida a Murçós.
Do complexo mineiro restam alguns edifícios abandonados e em avançado estado de degradação, que serviram de apoio a toda a estrutura, bem como lagos, onde a água adquire tonalidades únicas e verdadeiramente surpreendentes.
Até 1976, altura em que foram encerradas, as Minas do Vale Escuro albergavam centenas de trabalhadores de todo o País, que povoavam a freguesia e o complexo habitacional que servia de apoio à estrutura mineira.
Cerca de 500 homens e mulheres trabalhavam diariamente para recolher minerais, como estanho e volfrâmio. Um trabalho que, segundo os populares, era muito pesado. “Escorria água constantemente e ficávamos totalmente encharcadas, além de termos que carregar com sacos de 100 quilos”, recordou Zulmira do Patrocínio, uma popular que trabalhou nas Minas do Vale Escuro até ao seu encerramento.
Recentemente, as Minas do Vale Escuro foram alvo de trabalhos de reconversão, com vista à segurança das pessoas que visitavam a área mineira de Murçós. Além de vedarem os poços de água, alguns com mais de 40 metros de profundidade, foram plantadas árvores aquáticas para purificar e melhorar as condições da água. “Apesar de estarem contaminados, dezenas de jovens utilizavam os lagos das minas, pelo que se apostou na melhoria da água”, explicou o secretário da Junta de Freguesia de Murçós (JFM), António Pereira.

Junta de Freguesia aposta na criação de estruturas de apoio à população

Com cerca de 300 habitantes, Murçós tem perdido, à semelhança de todo o interior do País, grande parte da sua população mais jovem. Para tal, a JFM tem-se voltado para os idosos, de modo a proporcionar-lhes mais qualidade de vida. Assim, além de um Posto Médico, a autarquia criou, há cerca de cinco anos, um Gabinete de Apoio ao Cidadão, onde é disponibilizado um conjunto de serviços à população, como Internet. “Os jovens têm fugido para localidades com mais oportunidades. Por isso, tentamos assegurar algumas condições para os mais velhos”, explicou António Pereira.
Recorde-se que Murçós já pertenceu ao concelho de Torre D. Chama (até este ser extinto), sendo que, em 1853, passou a integrar o de Vinhais. Dois anos mais tarde, e até aos dias de hoje, pertence ao município de Macedo de Cavaleiros. Presume-se que a aldeia terá sido baptizada por um habitante que lhe terá dado o seu próprio nome, Mauriciolus, diminutivo de Mauricius.
Além das minas e dos seus lagos, que antigamente atraíam muitas pessoas, sobretudo jovens, a localidade é conhecida, também, pelo seu vasto património arqueológico e arquitectónico, como a igreja matriz, a capela de Santo António, o Santuário de Nossa Senhora das Graças e as Fragas da Ribeira da Mós.

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