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Já não há sombra no meu jardim

Já não há sombra no meu jardim
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  • 26 de Agosto de 2008, 09:21

Ao lado de uma agitação que era entendida como normal, tudo se passava sem grandes sobressaltos. Eram outros tempos.
Hoje tudo é diferente. Para pior, claro. Podemos enumerar uma série de vantagens que o presente nos dá, mas o Sol já não brilha como brilhava. Há nuvens no céu que outrora se nos apresentava azulíneo, claro e limpo. Nuvens que nos trazem borrascas inesperadas e incontidas.
Já não me lembro dos dias em que passávamos as tardes no jardim, provando deliciosos manjares, à sombra das árvores que o tempo tinha permitido crescerem. Que bem nos sabia a sombra fresca de Verão! O portão estava sempre encostado. Todos viriam por bem….
Há alguns anos atrás, um líder de um partido político, propôs um aumento da pena máxima para os condenados por homicídios de sangue e uma alteração da lei a aplicar a casos em que a pena máxima pudesse ser atribuída. Todos se voltaram para ele, dizendo que Portugal era um país seguro e que casos desses eram poucos. Não estávamos nos tempos do autoritarismo e da ditadura! Talvez fosse verdade e até possivelmente houvesse poucos casos de homicídios e crimes de sangue, mas já passaram alguns anos e hoje o que mais há são casos desses. Vivemos num país onde o crime acontece todos os dias e em toda a parte. Assaltam-se bombas de gasolina, bancos, já há rixas entre gangs, já há crime organizado, matam-se pais e irmãos, assaltam-se carros de valores e ninguém é culpado de nada. O que se nos dá a conhecer é o outro lado da questão. Empolga-se o caso deste ou aquele criminoso estar doente, ter sido atingido por uma bala ou saber a razão pela qual aconteceu ter-se atingido mortalmente um rapaz que estava associado a um assalto. Só falta começarmos a defender os criminosos e a condenar os que sofrem na pele as arbitrariedades dos assassinos e assaltantes.
E quando vem o senhor Ministro da Administração Interna dizer que tudo o que se está a fazer está correcto e estes assaltos e estes crimes são prova disso, eu pergunto-me o que seria se não estivesse a ser feito nada! Aquilo que é certo é que ninguém se sente seguro em lado algum. Já não falo nos ministros e afins, pois esses andam sempre com guarda-costas atrás. Pudera! Mas os portugueses normais, esses vão começar a andar sempre alerta, à espera de alguém que, precisando de 50 euros para comer ou para alimentar um vício, não se importam de matar, seja quem for.
Tudo o que for moderno em termos de crimes, chegou a Portugal. Só agora se ouviu falar de carjacking e de assaltos com métodos militares. Só agora temos consciência de que um banco por dia é assaltado com a maior das facilidades. Tudo o que for mau, chega a Portugal rapidamente.
O pior é que ninguém faz nada. O combate deveria ser eficaz, rápido, duro e desmotivador para quem estivesse a pensar fazer alguma malandrice. A segurança é urgente e é necessária. Não podemos andar numa insegurança total pelas ruas das cidades, esperando ser atacado por alguém que sabe nada lhe acontecer, mesmo que seja apanhado. Impunidade é que não pode ser prémio de criminosos!
Onde pára afinal a segurança? Que país é este que de um dia para o outro se transformou de tal forma que se parece com um Brasil, com uma Venezuela ou com os EUA? Nestes países tudo acontece. Mata-se, assalta-se, rouba-se e até se tenta matar o Presidente ou mata mesmo! As coisas boas não vêm para cá. Decididamente!
Já agora e como estamos em tempo de jogos olímpicos, li algo que é demonstrativo de tudo isto. Uma pessoa comentava para outra que Portugal tinha 9 medalhas de ouro. A outra questionou como poderia ser tal coisa, ao que a primeira respondeu que o Phelps estava a passar férias no Algarve. Pois é, as coisas boas que cá vêm parar não são nossas! Paciência!
É com muita pena que tenho de admitir que já não tenho sombra no meu jardim. Aliás, já nem o Sol brilha e as árvores que lá estavam, morreram… de pé. Com dignidade.

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Redação