Pânico no Tua
Na sexta-feira, o quarto acontecimento trágico no espaço de um ano e meio veio demonstrar que não é seguro viajar na linha do Tua. Estranho é que a tragédia continue a bater à porta duma linha que a REFER vistoria de 15 em 15 dias, que é servida por automotoras modernas, vistoriadas regularmente e, por sinal, manobradas por profissionais com mais de 10 anos de serviço. Estranho porque quando circulavam as velhinhas locomotivas Alsthoms 9020 nunca aconteceram acidentes graves, mesmo que a CP não tivesse o mesmo nível de zelo agora empregue pela REFER. Estranho porque na Linha do Corgo (Régua-Vila Real) o material circulante é quase idêntico, a via só é 15 anos mais jovem que a do Tua e não há registo de qualquer acontecimento trágico. Estranho porque o que se está a passar no Tua já não é só um caso para o Ministério das Obras Públicas resolver, mas para as autoridades policiais investigarem. Triste porque os cerca de 50 passageiros que na sexta-feira viajavam na automotora demonstram bem a procura da linha nesta altura do ano, mas a barragem é uma séria ameaça a este percurso. Lamentável porque o Estado Português não consegue garantir a segurança aos utentes desta via-férrea.

