Igreja de Ifanes fechada há seis anos
Durante os trabalhos, os cinco altares em talha dourada foram retirados e mal acondicionados, ao passo que a abóbada ameaça ruir a qualquer momento. As pinturas murais descobertas durante as obras também foram parcialmente cobertas com cimento.
Em processo de classificação pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), a igreja foi candidatada a uma TNS para ser requalificada. O projecto foi elaborado pelo Gabinete Técnico Local da Câmara Municipal de Miranda do Douro, mas quando as obras avançaram a abóbada apresentava graves riscos de segurança que não foram acautelados no projecto.
Perante esta situação, o IPPAR decidiu embargar os trabalhos e o templo esteve sem cobertura durante um ano, exposto a elevados danos materiais.
Depois de gastos cerca de 40 mil euros, a estética da igreja ficou completamente alterada. A cobertura provisória é de chapa e está assente em pilares de metal, enquanto as colunas originais se encontram partidas no exterior.
Má gestão do processo de requalificação do templo está na origem da sua degradação
“O processo foi-se arrastando e quando entrei para a Junta, há quatro anos, fui alertado pelas pessoas para a importância de dar uma solução às obras na Igreja”, conta o presidente da Junta de Freguesia de Ifanes (JFI), Orlando Vaqueiro.
Depois de disponibilizar 15 mil euros para saldar as dívidas da Comissão Fabriqueira a empreiteiros, a autarquia pediu colaboração ao governador civil de Bragança, Jorge Gomes, para desbloquear o processo junto do IPPAR. “Aquilo que nós pretendemos é restaurar a igreja ao nível da cobertura, da sedimentação da estrutura e da pintura, para que se possa rezar a missa”, realça o autarca.
Depois de se deslocarem a Ifanes, os técnicos do IPPAR, em colaboração com a Faculdade de Engenharia do Porto, já elaboraram um projecto para segurar a abóbada, que é a “jóia” do templo. “Neste momento, estamos à espera do orçamento de empresas especializadas neste tipo de trabalhos para podermos reiniciar as obras”, garante Orlando Vaqueiro.
A JFI, que assumiu a gestão da obra, compromete-se a colaborar a nível financeiro. Além disso, também serão vendidos alguns terrenos agrícolas da Comissão Fabriqueira para ajudar as custear os trabalhos. “A população depois de ver a obra avançar também vai contribuir”, conclui Orlando Vaqueiro.

