Hangar marca passo
Recorde-se que, a partir do acordo celebrado no ano passado, a Câmara Municipal de Bragança (CMB) cedeu uma parcela de terreno no AMB, onde a empresa se comprometeu a instalar dois hangares, com 2.500 metros quadrados cada, para guardar 14 aeronaves e 4 helicópteros, bem como uma oficina de manutenção.
Contudo, ainda nenhuma das obras arrancou, apesar da Aeronorte ter anunciado, em Julho do ano passado, que o primeiro hangar estaria a funcionar até final de 2007, tal como o Jornal NORDESTE noticiou na altura.
Passado um ano, o presidente da Aeronorte, José Ribeiro, justifica o atraso com a complexidade da obra. O responsável garante, no entanto, que só falta aprovar um último orçamento para dar luz verde aos trabalhos. “Como é um equipamento em grande, temos que ter a certeza de que tudo é feito em condições e com qualidade”, explicou o empresário.
Com o passar do tempo, os prazos também foram sofrendo alterações. Finais de Outubro é, agora, a meta da empresa, mas José Ribeiro admite mais alguns atrasos. “Possivelmente vamos atrasar-nos um pouco, mas como é um projecto do nosso interesse, vamos fazer os possíveis para o adiantarmos, até porque vem aí o Inverno e queríamos ter tudo pronto”, sublinhou o responsável da Aeronorte.
1 ano e 8 meses após a assinatura do protocolo, as obras do hangar ainda não arrancaram
Contactado pelo Jornal NORDESTE, o presidente da CMB, Jorge Nunes, admite que o projecto “é sofisticado”, o que “torna mais difícil encontrar quem o possa concretizar”. Aliás, segundo o edil, a Aeronorte “até tentou pedir orçamentos a empresas da região, mas nenhuma reunia as condições exigidas para executar este tipo de infra-estrutura”.
No total, a construção dos dois hangares e a instalação duma oficina de manutenção de material aeronáutico, em Bragança, deverá traduzir-se na criação de 60 postos de trabalhos nos próximos 5 anos.
Esta é, de resto, uma das contrapartidas para o município no âmbito do protocolo assinado com a Aeronorte há quase 2 anos.
A cargo da CMB está a cedência da parcela de terreno no Aeródromo, os trabalhos de terraplanagem e a pavimentação da plataforma externa de acesso.
O protocolo, válido por 50 anos, prevê, ainda, a passagem da titularidade do terreno e infra-estruturas para o município, no caso de incumprimento por parte da empresa.
Recorde-se que a Aeronorte opera na carreira aérea Bragança-Vila Real-Lisboa, pelo que os hangares servirão para acolher algumas das aeronaves da empresa.
Actualmente, o AMB conta, apenas, com um hangar, cuja capacidade está praticamente esgotada, segundo fonte do Aeroclube de Bragança.
SANDRA CANTEIRO/JOÃO CAMPOS

