Casa do Menino Jesus dá vida a Pereira
Aqui tudo gira à volta da Casa do Menino Jesus, fundada em 1928, e com uma longa história de solidariedade para com as crianças desprotegidas e, mais recentemente, pelo apoio prestado aos idosos de Pereira e das freguesias vizinhas.
Esta herança foi deixada por Maria Augusta Fernandes Martins, que mais tarde se converteu na Irmã Santíssima Trindade, depois de ter herdado dos seus pais bens materiais em abundância e uma grande casa de habitação. Aceitou o desafio divino, após a morte dos seus progenitores, dividindo o seu espaço com Alzira da Conceição Sobrinho, que, juntamente com a amiga, viveu uma vida cristã intensa e se tornou na Irmã São João Evangelista.
Com a entrada das suas senhoras para a vida religiosa, a obra foi entregue à Congregação das Servas Franciscanas e, desde então, o trabalho de solidariedade social não tem parado de crescer. Passados 80 anos da sua fundação, a Casa do Menino Jesus é muito mais do que um simples abrigo para as crianças mais pobres de Pereira e freguesias vizinhas.
Actualmente, este espaço acolhe cerca de 50 crianças e jovens que vêm de diversos pontos do País e têm em comum uma família fragilizada que as deixou desprotegidas desde tenra idade. Aqui crescem, são educadas, estudam, aprendem artes e, acima de tudo, a viver em sociedade. É graças a estas crianças que a escola do 1º Ciclo vai resistindo numa localidade que vê partir os filhos da terra e diminuir, de forma galopante, o número de jovens.
“Esta casa dá muita vida à aldeia. Se não fosse a instituição das Irmãs isto não tinha movimento nenhum”, desabafa Albertino Teixeira, um habitante de 72 anos.
A telescola fechou há dois anos, mas a grandiosidade da Casa do Menino Jesus resiste à mudança e molda-se aos novos tempos. As instalações foram renovadas e a abertura do Centro de Dia, em 1999, dá apoio à Terceira Idade.
População acredita que Nossa Senhora da Torre protege a freguesia das trovoadas que outrora devastavam as culturas
Com pouco mais de 150 habitantes, na sua maioria idosos, Pereira é uma freguesia essencialmente agrícola. Os homens da lavoura têm fé, muita fé, na Nossa Senhora da Torre que protege as culturas do cimo da Igreja Matriz, construída pelo povo em 1934.
A par deste templo, a freguesia guarda, ainda, algumas capelas, fontes de mergulho e tanques que vão resistindo há dezenas de anos. “Preservar o património é uma das nossas preocupações, pelo que está prevista a requalificação da zona envolvente à Fonte das Nogueiras”, realça o presidente da Junta de Freguesia de Pereira, Paulo Sobrinho.
Já o polidesportivo, construído em 2006, só é utilizado aos fins-de-semana, altura em que regressam os jovens que partiram para estudar ou trabalhar.
Para o autarca local, travar a desertificação é uma tarefa impossível sem políticas governamentais que criem emprego nas localidades do Interior. Mesmo assim, Paulo Sobrinho continua a trabalhar para melhorar a qualidade de vida de quem vai resistindo na terra onde nasceu. “Gostaríamos de arranjar as bermas e colocar pontos de luz na avenida, bem como construir um ramal de saneamento que ainda falta. Também é necessário requalificar o parque infantil”, enumera o autarca.
Para facilitar o acesso ao IP4, a beneficiação da estrada municipal que liga Pereira à N15 já foi posta a concurso e deverá arrancar ainda este ano.
Quando ao lar de idosos reclamado por alguns habitantes, Paulo Sobrinho reconhece que faz falta à freguesia, mas lembra que a política social privilegia a construção destes equipamentos em pontos estratégicos, de forma a abranger um número alargado de freguesias.

