Autarcas divididos
Foram precisas mais de quatro horas de reunião, que decorreu em Mogadouro, para se eleger uma Equipa de Gestão composta por três autarcas (dois espanhóis e um português) para a tramitação administrativa até à criação do AECT.
Trata-se de um organismo composto por 182 municípios dos dois lados da fronteira (desde Vinhais ao Sabugal), que apresentem problemas e projectos comuns, que poderão ser resolvidos com recurso a fundos comunitários.
“A Assembleia mostrou-se dividida e o AECT já nasce torto. Não podemos estar à disposição dos caprichos de uma só pessoa, já que se trata de um grupo que tem nas mãos o futuro de várias localidades”, afirmou alcaide de Hinogoja del Duero (Espanha), José Bautista, um do autarcas mais contestatários.
Os desentendimentos fizeram com que o presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, José Santos, abandonasse a mesa da assembleia logo no início dos trabalhos como forma de desagrado. “Levantei-me porque a minha presença foi colocada em causa. Estou no AECT sem intenção de ter um lugar de destaque e a minha posição levou a que a Assembleia decorresse da melhor forma possível”, assegurou o autarca.
Sede do AECT ficará em Trabanca, num edifício já construído
O alcaide de Trabanca (Espanha), José Luís Pascual, considerado por muitos como o impulsionador do agrupamento, garante que foi dado um passo firme e importante para a constituição do AECT.
Já João Henriques, moderador da sessão e vice-presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, sublinha que, num agrupamento com a dimensão do AECT e composto por mais de 180 membros não se pode pedir que haja unanimidade nas discussões. “O que se pede é que dos debates resultem conclusões sérias, sendo que todos os actos sujeitos a votação decorreram de forma democrática”, salientou o responsável.
No entanto, ficou decidido que a sede do Agrupamento ficará em Trabanca, onde foi já construído um moderno edifício para o efeito.

