Silva: uma “lança” no concelho de Vimioso
“Nós somos uma cunha metida no concelho de Vimioso. Há histórias contadas pelos antigos que falam de algumas lutas entre os dois povos por causa do santuário de Nossa Senhora do Rosário”, conta o presidente da Junta de Freguesia de Silva, Francisco Fidalgo.
Os factos remontam a 1920. Nessa altura, o santuário foi disputado entre as populações de Silva e de Caçarelhos, mas a sua localização acabou por dar razão aos mirandeses. Actualmente, este local de culto é motivo de união entre as pessoas de ambas as freguesias, que se reúnem no primeiro domingo de Maio na romaria de Nossa Senhora do Rosário do Monte. “Trazem o farnel e passam um dia de convívio em família”, salienta o autarca.
A capela do santuário já foi alvo de um projecto de requalificação no interior e exterior, mas ainda falta levar a cabo uma intervenção no altar, que será efectuada com o dinheiro oferecido pelos devotos.
No que toca a património religioso, também a igreja matriz de S. Pedro da Silva foi alvo de obras profundas devido ao seu estado de degradação. “Foi praticamente toda desmontada e montada de acordo com a traça original. Foi um investimento avultado, concluído ainda este ano”, frisou Francisco Fidalgo.
Por entre a natureza em estado selvagem, sobressaem campos agrícolas, lameiros onde se alimentam animais e matas de sobreiros que produzem cortiça.
“Dado que temos terrenos agrícolas muito férteis investimos num sistema de regadio. A água é retida na ribeira por seis açudes e ficou resolvido o problema da falta de água no Verão”, realça o autarca.
O alargamento e asfalto da ligação da Estrada Nacional à freguesia são o principal anseio do autarca local
A população que resiste na freguesia de Silva, composta pelas aldeias de S. Pedro, Granja e Fonte Ladrão, vive, essencialmente, dos rendimentos da agricultura e da pecuária, contando-se cerca de 700 bovinos e outros tantos ovinos.
No entanto, os baixos rendimentos extraídos destas actividades levam os jovens para outras paragens. “Vendemos a carne ao mesmo preço de há 10 anos atrás, enquanto o preço dos adubos e das farinhas aumentou muito”, lamenta Francisco Fidalgo.
A preservação do património religioso, a criação de espaços de lazer e o regadio dos campos têm sido as prioridades da Junta e Câmara de Miranda, que, em oito anos, investiram cerca de 900 mil euros numa freguesia com cerca de 300 habitantes.
Apesar de ser envelhecida, a população teima em cultivar os campos e tem um papel activo na preservação das tradições.
“No primeiro domingo de Janeiro cumprimos a tradição dos roscos. Para fazer o ramo precisamos de 100 quilos de farinha e 50 dúzias de ovos. Depois é levado para a igreja e, no final, os roscos são vendidos ao povo”, explica Leonor Esteves, que teima em manter viva a Festa dos Reis.
A freguesia é, ainda, dinamizada pelos caçadores e pelos participantes nos passeios todo-o-terreno.
Para melhorar as acessibilidades, Francisco Fidalgo também gostaria de concretizar o asfalto e alargamento da ligação à Estrada Nacional que liga Bragança a Miranda. “São cerca de 6 quilómetros, que encurtam distâncias e melhoram o acesso ao santuário”, conclui o autarca.

