Barba e cabelo no feminino
O Jornal NORDESTE foi conhecer o trabalho desta mulher, que abraça uma profissão que outrora foi exclusiva de homens. “Já ouvi muitos comentários de homens que ficam admirados por ser uma mulher a fazer-lhes a barba”, comenta a barbeira, com um sorriso no rosto.
Ao longo dos anos, foram muitas as peripécias vividas por Cristina Costa nos corredores do hospital. Zelar pela boa aparência dos utentes internados não é tarefa fácil e ainda se tornava mais difícil nos tempos em que as máquinas de barbear não se adaptavam ao rosto. “Antigamente o material era muito mau e era praticamente impossível desfazer a barba sem um único corte. Ficava mesmo entristecida”, conta.
Quando abraçou este desafio, há 13 anos, Cristina Costa não imaginava o trabalho que a esperava. “Disseram-me se queria vir para o hospital como cabeleireira. Eu aceitei, até porque já tinha trabalhado num salão durante cinco anos.
Quando me apercebi que também tinha que desfazer a barba aos homens fiquei um pouco assustada, porque eu nunca tinha feito isto na vida”, afirma.
O choque inicial passou e a força de vontade de Cristina Costa tem resultado num trabalho acarinhado pela maioria dos doentes internados nos diferentes serviços. “Na altura disse que ia conseguir e cá estou”, realça, com orgulho.
Os dotes femininos da barbeira até têm conquistado os homens, que chegam a pedir para serem tratados pelas mãos de uma mulher. “Muitos têm condições para desfazer a barba e pedem para que seja eu. Até gostam mais”, sorri.
Utentes mostram-se satisfeitos com as sessões de corte de barba e cabelo no feminino
Depois de uma barba aparada ou de um corte de cabelo, a maioria dos homens fazem questão de agradecer o serviço. “Alguns são muito engraçados. Chegaram-me a dizer que me arranjavam um rapaz rico. Era o agradecimento à maneira deles. Eu já era casada, mas ria-me muito com eles”, salienta.
Enquanto trata da imagem, a barbeira também é vista como um ombro amigo pelos utentes. “Falam muito comigo. Às vezes tenho que lhes dizer para não falarem porque posso fazer-lhes algum corte na cara”, graceja.
Todos os dias, das 8 da manhã ao meio-dia, a barbeira percorre os serviços do hospital e ainda se desloca à Psiquiatria e à Unidade de Doentes de Evolução Prolongada (UDEP), na Quinta da Trajinha.
“No início também ainda fazia umas horas num cabeleireiro para homens e fui barbeira no Lar de Coelhoso, mas tive que deixar porque agora ingressei no ensino superior e não consigo conciliar tudo”, revela.
Com o gosto pela barba e cabelo a correr-lhe nas veias, Cristina Costa concilia agora a arte de barbeira com o curso de Dietética na Escola Superior de Saúde de Bragança.

