Linha e barragem do Tua:coexistência é possível?
Segundo o responsável, esta solução será viável se a albufeira do Tua for construída à cota de 170, a mais baixa apresentada pela empresa no estudo de impacto ambiental. Deste modo, ficarão inutilizados cerca de 14 dos 54 quilómetros daquela via. “A nossa proposta visa criar uma rede de transportes ligeiros para as deslocações das populações locais e outra de barcos, que seria muito mais turístico, pelo que acreditamos que a construção da barragem e a linha são compatíveis”, explicou António Castro.
Contudo, esta hipótese só avançará se a Avaliação do Impacto Ambiental (AIA) optar pela cota mais baixa, já que as outras propostas pela EDP são de 185 e 195. “Com a cota mais elevada temos uma maior afectação da linha, uma vez que em causa estão cerca de 30 a 40 quilómetros desta via. Mas ainda não está decidido, pois a comissão da AIA está a analisar diversas vertentes do projecto”, informou o responsável.
Já para o presidente da Câmara Municipal de Mirandela, José Silvano, a coexistência da barragem e da linha do Tua só é viável “em termos de obra de engenharia e arquitectura, e não no que diz respeito a desenvolvimento turístico e regional”.
Segundo o autarca, mesmo construindo a albufeira à cota de 170, ficariam submersos cerca de dez metros de altura do vale do Tua, o que “o descaracterizaria por completo, já que é apreciado pelas suas ravinas e, a partir daí, não teria mais interesse turístico”, acrescentou o edil.
Autarca mirandelense avança que barragem e linha do Tua são incompatíveis
Mesmo assim, José Silvano mostrou-se receptivo às declarações da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, que na semana passada anunciou que a linha do Tua vai ser intervencionada, mantendo-se encerrado até Março de 2009.
Ainda segundo a governante, os últimos 14 quilómetros da via, que, supostamente, ficarão submersos com a construção da barragem, mesmo à cota mais baixa, já foram totalmente beneficiados. Na óptica de José Silvano, este investimento obriga a uma tomada de posição por parte do Governo. “Tem que se decidir: ou pelo Ministério das Obras Públicas, que defende a linha, ou do da Economia, que é a favor da barragem”, sublinhou o responsável.
Enquanto se aguarda pela decisão, o edil promete apresentar ao Governo um estudo capaz de demonstrar que o País e a região ganham mais com a manutenção da linha para fins turísticos do que com a construção da barragem.

