Caça atrai turistas a Matela
Por entre a imensidão da natureza que se vislumbra nas encostas dos rios Sabor e Maçãs, os caçadores podem caçar aves ou mamíferos, ao mesmo tempo que apreciam a beleza das paisagens.
O espaço abriu ao público este ano e já recebeu um grande número de caçadores, na sua maioria oriundos do litoral Norte do País. “É um projecto de 2003, mas a ZCT tem estado fechada. Agora assinamos um contrato de concessão com uma entidade privada, que está responsável pela gestão da caça e paga uma renda anual à Junta de Freguesia”, explica o presidente da Junta de Freguesia de Matela, César Rodrigues.
As receitas retiradas do sector cinegético vão ser canalizadas para apoiar os idosos da freguesia. “Temos um Centro de Divulgação do Rio Sabor, que vai servir de apoio à ZCT, através da venda de dormidas. As verbas angariadas através da caça vão ser utilizadas para dar apoio aos idosos”, salienta o autarca.
Neste edifício, que já se encontra em fase de conclusão, vão ser servidas refeições às pessoas de Matela e das aldeias anexas de Junqueira e Avinhó. “Dos cerca de 200 habitantes, 70 por cento têm mais de 60 anos”, acrescenta César Rodrigues.
Nesta freguesia, a caça é uma fonte de rendimento que poderá financiar projectos importantes para a população e para o desenvolvimento daquelas localidades. Ao todo são cerca de 4 mil hectares, onde a caça é feita de forma ordenada.
“Temos duas zonas de caça: uma associativa e a turística. Esta obedece a regras diferentes, pois é uma área onde se pode caçar todos os dias e a entidade concessionária pode fazer a gestão da caça como entender”, realça o autarca.
Actividade cinegética pode contribuir para o surgimento de projectos importante para o desenvolvimento da freguesia
A actividade cinegética vai trazendo algum movimento à aldeia e assume-se como um complemento à agricultura, que é a principal fonte de rendimento da população. “Também temos algumas pequenas indústrias, como serralharias, um lagar de azeite e uma queijaria. A maior parte das pessoas já está reformada e a agricultura é praticada por uma questão de gosto em cultivar os seus próprios produtos e de dar continuidade àquilo que herdaram dos familiares”, acrescenta César Rodrigues.
Nesta freguesia, os visitantes podem, ainda, apreciar o património religioso, que vai resistindo ao passar dos anos. “Temos as capelas do S. Antão e de Santa Marinha e a capela da Senhora do Bom Despacho, que fica à entrada da aldeia. No centro da aldeia ergue-se a igreja matriz que era muito antiga, mas foi reconstruída. Temos muito empenho nesse património”, salienta Ascensão Martins, uma habitante de 66 anos.
Já as tradições desta terra do concelho de Vimioso estão directamente ligadas às épocas do Natal, Páscoa e à tradicional romaria realizada no mês de Agosto, que reúne um grande número de emigrantes.
Longe vão os tempos em que os bailes e os jogos tradicionais preenchiam as pausas dos trabalhos agrícolas. Actualmente, a população encontra-se no centro da aldeia para dois dedos de conversa, fundamentais para quebrar a solidão que vai chegando com a partida da juventude para o estrangeiro ou para os centros urbanos.

