100 anos de vida para recordar
D. Carlotinha é a utente que soma mais primaveras na instituição. “Estes já cá estão. Já ninguém mos tira”, sorri com um ar de satisfação. No entanto, reconhece que a idade “já pesa” e recorda os tempos de juventude passados na aldeia de Mós, no concelho de Bragança.
“Vivi sempre na aldeia a trabalhar em casa e no campo. Costurava, trabalhava no tear e ia com as minhas irmãs ajudar os meus pais e os meus irmãos à lenha, nos lameiros, nas batatas, nas castanhas e no que havia para fazer”, recorda com alguma saudade.
Carlota Gonçalves só veio para a cidade aos 93 anos, altura em que o marido entrou para o lar da SCMB. “Ele estava muito doente e eu fiquei aqui com ele, para não ir para casa sozinha”, conta.
Com um sorriso no rosto, esta idosa garante que ainda era capaz de fazer renda ou na meia. “Já fiz desde que estou aqui. Mas agora já não faço nada. Eu sou muito perfeccionista e, agora, se escapasse um ponto já não seria capaz de o apanhar”, afirma a aniversariante.
D. Carlotinha consegue vencer os limites naturais impostos pela idade e põe de lado a canadiana e os óculos
D. Carlotinha confessa que tem uma canadiana e até uns óculos, mas teima em mostrar que tem uma saúde de ferro e que consegue vencer os constrangimentos naturais da idade. “Não me ajeito com o cajado, prefiro andar sem ele. Os óculos também não os uso e ainda consigo ver bem sem eles”, teima.
A maior complicação de saúde surgiu quando era nova. “Caí de um negrilho enquanto andava a ripar folha para os porcos. Levei um mês para recuperar”, conta.
Agora, D. Carlota diz que toma, apenas, comprimidos para a tensão arterial e quando tem necessidade de combater o inchaço dos pés. “Também tenho alguns problemas de estômago, mas ainda como de tudo”, sorri.
Os dias desta utente na instituição são passados a conviver com os companheiros, que já fazem parte da família. “Tem o seu cantinho, onde se junta com outros e conversa”, afirma a vice-provedora da SCMB, Maria Augusta Genésio.
No lar da SCMB, o centenário dos utentes é uma festa e, ao mesmo tempo, um motivo de orgulho para a instituição. “Já tivemos uma utente que fez 108 anos e já temos mais dois com 99 anos”, concluiu a responsável.

