O Natal dos sem-abrigo
Esta é a altura em que mais nos lembramos dos sem abrigo e nos enchemos de compaixão, apesar deste fenómeno não ter muita visibilidade em Bragança.
Os vícios da droga e do álcool atiraram Carlos (nome fictício) para a rua. Agora só quer “arranjar um quartinho para se orientar e arranjar um trabalho”. “Sítio para trabalhar arranjo sempre, mas nunca tenho onde ficar”, lamenta, admitindo que, quando os olhos dos outros o observam como sem abrigo, acaba sempre por tapar a cabeça.
“Se passa alguém conhecido, tenho vergonha, mas todos os dias vou tomar banho a uma associação. No Inverno tudo é muito mais difícil e também no Natal, pois lembro-me como tudo antes era bom”, recorda.
O Jornal NORDESTE quis saber como será o Natal de Carlos e a resposta não se fez esperar. “O meu Natal vai ser como qualquer outro sem abrigo. Para nós é um dia como outro qualquer. Natal é para quem pode, e nós não podemos, o que nos vai valendo são as instituições que por esta altura nos dão uma refeição mais reforçada e quentinha. Esse é o nosso Natal”, revelou.
Acção das instituições é fundamental para tornar o Natal mais solidário
Pedimos a Carlos que deixasse um desejo para o ano que se avizinha. “Para mim pedia uma casinha e um trabalho, mas o mais importante era que o meu filho não sentisse vergonha nem pena de mim”, finalizou, visivelmente emocionado.
As instituições que se dedicam aos sem-abrigo durante todo o ano, providenciam alimentação, medicação, lavagem da roupa, dormida ou alojamento, fornecem apoio psicossocial e criam condições para que os sem-abrigo façam a sua higiene pessoal.
As instituições têm também especial atenção nesta altura do ano, pois sabem que é a mais complicada do ano, quer pelo frio que se faz sentir, quer pelo facto de estarem votados ao esquecimento.
Com a actual crise que vivemos, é fácil de perceber os motivos que atiraram muitas pessoas para a rua, nomeadamente a ausência de rendimentos devido à onda de despedimentos, doenças de foro psiquiátrico, toxicodependência, más condições habitacionais, e também, a imigração ilegal, ainda que em menor percentagem.

