Desertificação agrava consequências dos incêndios
A pedido da Autoridade Florestal Nacional (AFN), a UTAD, sob a coordenação do investigador Hermínio Botelho, esta acção estudou “a relação entre o pastoreio e os incêndios florestais”.
O responsável, que falava à margem de um seminário técnico sobre o tema, referiu que a investigação começou em Maio, envolveu cerca de 20 investigadores e estão a ser ultimadas as conclusões para serem entregues “rapidamente” à AFN.
O estudo visou um conhecimento mais aprofundado das “motivações dos pastores, a sua necessidade de renovar as pastagens, as práticas que usam e o incremento da prática do fogo controlado”.
Muitas vezes associa-se a queimada, a que os pastores recorrem para renovar as pastagens, à ocorrência de alguns grandes incêndios florestais.
“Queremos claramente banir a imagem de que os pastores são inimigos da floresta. Os pastores são talvez aqueles que melhor poderão contribuir para nós mantermos áreas florestais produtivas e com interesse económico”, afirmou à Lusa Hermínio Botelho.
O investigador defende o incremento da actividade pastoril porque, segundo explicou, os rebanhos vão consumindo material combustível, como arbustos e ervas, contribuindo assim para a prevenção dos incêndios.
Hermínio Botelho faz uma associação entre a redução “drástica” da população que residia no interior do país, que migrou ou emigrou, ao aumento dos grandes incêndios florestais. “Esta desertificação do interior é a principal causa dos grandes incêndios que temos tido nos últimos anos”, sublinhou.
Viseu lidera número de incêndios de origem pastoril
O estudo foi realizado no âmbito do programa comunitário “FOREST FOCUS” e envolveu ainda investigadores da Universidade do Minho e do Instituto Superior de Agronomia (ISA).
O Centro de Ecologia Aplicada “Professor Baeta Neves” (CEABN), do ISA, analisou 134.989 fogos ocorridos em Portugal continental num período de seis anos (2002-07), dos quais 7337 foram investigados e determinado se a sua causa está ou não associada ao pastoreio.
Verificou-se que os incêndios de origem pastoril representam 20 por cento dos fogos com causa determinada, tendo variado anualmente entre sete e 31 por cento.
Estes fogos foram responsáveis por 11 por cento da área ardida e queimaram principalmente em matos (78 por cento), sendo que a área de floresta consumida foi de 18 por cento.
A nível nacional, os distritos com maior número de fogos atribuídos ao pastoreio são Viseu (30 por cento), Guarda (26 por cento), Vila Real (22 por cento), Bragança (10 por cento) e Viana do Castelo (nove por cento).

