Centenas de pessoas aquecem o GEADA
A iniciativa teve a duração de três dias e transportou os participantes a um universo cultural único como o que se vive na região nesta altura do ano. Os ateliers das danças dos pauliteiros, os acordes numa gaita-de-foles mirandesa (já padronizada) ou as oficinas de percussão, onde caixa de guerra, bombos, pandeiros ou pandeiretas marcavam o ritmo, proporcionaram aos visitantes experiências únicas. Pelo meio, houve, ainda, uma matança de porco tradicional e confecção de enchidos, entre palestras e visitas temáticas a aldeias do concelho.
Segundo Carlos Moreira, um dos mentores do festival, o GEADA quer tornar-se num festival de Inverno à semelhança do “Andanças” que decorre no Verão, já que nesta época do ano não há iniciativas do género. No entanto, adianta, “são precisos apoios e muito trabalho”.
Durante o GEADA foi apresentado o próximo livro de Amadeu Ferreira.
Durante o GEADA foi, ainda, apresentado o próximo livro do escritor e investigador da língua mirandesa, Amadeu Ferreira. Trata-se de uma compilação de mais de 200 cartas escritas por mirandeses ao linguista, filólogo e etnógrafo português, José Leite de Vasconcelos, entre 1883 e 1935, que davam conta de achados arqueológicos, etnografia e língua mirandesa.
As cartas foram retiradas do Museu Nacional de Arqueologia e depois estudadas e tratadas. A apresentação do novo manual para o estudo da peculiar cultura mirandesa está marcada para o início da primavera.
Este obra foi dada a conhecer num altura me que se comemoram os 150 anos do nascimento de um dos maiores vultos da arqueologia portuguesa, o “Mestre Leite”. O linguista foi o primeiro estudioso a dizer que em Miranda do Douro “havia uma forma diferente de falar”, dando a conhecer ao mundo o dilecto mirandês que, em 1999, foi reconhecido como a segunda língua oficial de Portugal.
Na opinião de Amadeu Ferreira, para além de todos os estudos, José Leite de Vasconcelos proclamou que o mirandês era, na sua verdadeira essência, uma língua.
“Depois de vários séculos de se ouvir dizer que os mirandesas não sabiam falar, falavam era uma outra língua que assenta numa base latina com evolução para o leonês”, reafirma o investigador.

