Miranda acende a Fogueira do Galo
Reza a história que, quando os dias começavam a diminuir, à medida que se aproximava o Solstício de Inverno, as pessoas temiam que o sol se extinguisse completamente e começaram a chamar a luz solar através da labareda das fogueiras.
“Esta crença ancestral levou à adopção do costume de acender fogueiras para evocar o sol a brilhar com mais intensidade de luz e calor, para que a Terra Mãe não deixasse de ser fértil”, afirma o investigador António Rodrigues Mourinho.
Entre os rituais mais conservados em todas as populações da região transmontana está o costume de acender a Fogueira do Galo, na noite de consoada.
Uns dias antes, os jovens das povoações nordestinas dão a volta pelas povoações e pelas matas da zona para arranjar lenha para acender a fogueira.
Actualmente, são utilizados tractores ou camiões para trazer os troncos imponentes para o local da fogueira, mas, antigamente, a tradição era trazer a lenha em carros de bois, puxados por rapazes com mais de 14 anos.
“As fogueiras de Natal são, ao mesmo tempo, rituais de provação, que acontecem por ocasião do Solstício de Inverno”, acrescenta o investigador.
Mirandeses mantêm a Fogueira do Galo acesa até ao Dia de Reis
Em Miranda do Douro, esta tradição ainda se mantém viva, devido à insistência das gerações mais novas, que, ano após ano, dão continuidade à tradição, fazendo do dia 24 de Dezembro uma data memorável.
Logo ao romper do dia, ouve-se um foguete, o alerta para os jovens se reunirem. A rapaziada tem como missão, até ao final do dia, ir à lenha. O dia é passado no monte e também é pretexto para muitas brincadeiras e “malandrices”, com os mais velhos “ a fazerem a folha aos mais novos, entrando em jogos de empalhação dentro da mocidade”. A entrada na cidade é feita com grande alarido, ouve-se o chiar dos carros de bois e o aço das roda a bater na calçada, o que chama a atenção da população que faz questão de ver entrar os rapazes na cidade.
Reza a história, que a Fogueira do Galo, em Miranda do Douro, tem que estar acesa até ao Dia de Reis, o que ainda acontece, apesar de, este ano, estar um pouco mais apagada.
Em Mogadouro, esta tradição começa a ganhar forma pelas mãos da Comissão de Festas de Santa Ana.

