Região

Emigração “rouba” habitantes a Valtorno

Emigração “rouba” habitantes a Valtorno
Imagem do avatar
  • 20 de Janeiro de 2009, 11:16

Situada a poucos quilómetros da EN214, esta aldeia está envolta em história, que se encontra entranhada no vasto património e no próprio nome da freguesia. Há duas explicações para a etimologia de Valtorno. Para uns “Torno” deriva do termo latino “turnus”, que significa “volta”, que é associado a um girar de água de nascente, como se tratasse de um remoinho de água. Já, para outros, “Torno” está ligado à existência de uma torre medieval existente na freguesia, que terá servido para defender os seus habitantes dos ataques dos mouros. Como fica situada num vale, a junção das duas palavras terá dado origem a Valtorno.
Quem resiste nesta localidade recorda os tempos em que os artífices davam vida à aldeia. Os tempos mudaram e os sapateiros e merceeiros foram obrigados a emigrar à procura do dinheiro que não conseguiam amealhar na sua terra natal.
O património é a única coisa que vai resistindo ao passar dos anos. A história está entranhada nos templos antigos, que são acarinhados pela população.

Igreja matriz, sete capelas, seis cruzeiros e quatro fontes fazem parte do roteiro de quem visita Valtorno

A viagem pela história começa na igreja matriz, baptizada Igreja de Nossa Senhora do Castanheiro. Ao lado do templo existe um castanheiro antiquíssimo com uma toca no tronco e, segundo dizem os antigos, Nossa Senhora aparecia na toca da árvore. Este edifício religioso, construído em granito, é de estilo românico e a sua construção remonta ao século XVIII.
A fé é enaltecida nesta freguesia, onde se contam sete capelas, todas elas antigas. Valtorno guarda, ainda, seis cruzeiros, de diversos estilos, bem como quatro fontes, uma delas associada a uma lenda. Consta-se que, na Fonte da Paijoana existe uma moira encantada que é tecedeira e labora num tear de marfim, tramando uma teia de ouro. Diz a tradição que, quem a conseguir desencantar na noite de S. João, ficará com a peça de ouro.
Numa terra onde, antigamente, havia muitos padeiros, não poderiam faltar os moinhos espalhados pelas quatro ribeiras que atravessam a aldeia, mas a maioria já se encontra em ruínas.
A freguesia tem, ainda, um Centro de Dia para dar apoio à população mais idosa, que ganha expressão, tanto em Valtorno como na anexa de Alagoa. Já a escola primária, que chegou a ser frequentada por 80 alunos, encontra-se, agora, desactivada, visto que o reduzido número de crianças obrigou à sua deslocação para uma freguesia vizinha.
No que toca ao lazer, existe um campo de futebol e um parque de merendas que costumam ser utilizados no Verão, altura em que os emigrantes regressam à terra e Valtorno se torna numa freguesia dinâmica.
Já os que vão resistindo na aldeia dedicam-se à agricultura, sendo a azeitona e a batata as culturas predominantes.

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Imagem do avatar
Written By
Redação