Alfaião a banhos
Desactivadas há cerca de meio século, as Termas de Alfaião eram procuradas por pessoas de todas as classes sociais, oriundas de toda a região, que se alojavam conforme as suas possibilidades económicas. “Haviam as categorias de Paraíso, Céu, Purgatório e Inferno, que eram ocupadas segundo o poder de cada um”, explicou o autarca.
Segundo o responsável, “muitos doentes que chegavam mal conseguiam andar e, depois dos tratamentos, já iam pelo seu próprio pé”.
Era neste local que, segundo José Luís, habitante de Alfaião, existia uma donzela que, nas manhãs de São João, trabalhava num tear. “Conta-se que havia esse encanto e que, em determinados dias, se ouvia o tear a bater”, sublinhou.
Após serem exigidas obras de requalificação, os antigos proprietários deixaram as Termas de Alfaião ao abandono, estando, hoje, completamente em ruínas.
Mais recentemente, foram adquiridas por um empresário de Bragança que pondera avançar com um projecto de reabilitação, ainda sem data prevista para arranque.
Freguesia dedicou monumento às antigas lavadeiras de Alfaião
Alfaião é, também, conhecido por ser terra de lavadeiras. Em tempos, quando os electrodomésticos não faziam parte do quotidiano familiar, as famílias mais ricas de Bragança recrutavam os serviços das mulheres da freguesia para lavarem as suas roupas.
“Lavavam as vestes no rio Penacal, onde até tinham umas cabanas em colmo para poderem dormir, enquanto não terminavam o serviço”, explicou João Rodrigues.
Normalmente executado por jovens, que iam a Bragança de burro buscar as roupas aos fins-de-semana, este trabalho contava com a ajuda de fornalhas, onde era aquecida a barrela, com que lavavam o vestuário.
“Havia umas mistelas, como cinza, que as lavadeiras colocavam na pilha de roupas para as deixarem impecáveis”, recordou o autarca.
Segundo Manuel Pires, habitante daquela aldeia, “Alfaião sempre conseguiu fazer negócios e ter algum dinheiro, mesmo em tempos difíceis, através do trabalho das lavadeiras ou da venda de produtos, como legumes e frutas, entre outros”.

