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Tio Artur vai baptizar rua

Tio Artur vai baptizar rua
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  • 10 de Outubro de 2012, 08:23

Foi isto que Artur Carpinteiro sempre quis, que não fechassem o negócio onde fez muitos e bons amigos, onde matou a fome a quem precisava, onde acolheu milhares de estudantes que todos os anos festejavam a vida académica neste verdadeiro “cantinho dos amigos”. Alice assim fez, sempre na companhia do marido, o genro fiel, o braço direito do Tio Artur no balcão do “Bem Falado”.
A notícia da morte de Artur Carpinteiro depressa entristeceu a cidade e tornou pequena a igreja de Santo Condestável, onde largas centenas de familiares e amigos disseram o último adeus a um homem que o tempo nunca há-de apagar. Será que há alguém que consiga entrar no “Bem Falado” sem recordar aquele impagável assobio?
O presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, assistiu às exéquias e foi sensível ao apelo da comunidade, logo que Alice Carpinteiro começou a recolher assinaturas para mudar o nome da Rua da Terra Fria para Rua Tio Artur. De repente conseguiu cerca de 700 subscritores, só ali na vizinhança, só pelas dezenas de pessoas que passam diariamente pelo Bem Falado.

Estão todos convidados
O resultado vai ser motivo de festa no próximo dia 19 de Outubro. Alice Carpinteiro não esconde a emoção quando fala do carácter simbólico da inauguração da Rua Tio Artur, ao mesmo tempo que agradece a todos os que contribuíram para a concretização deste sonho. “Acho que todos os amigos e todos os que o conheciam têm um bocadinho nisto. Toda a gente queria que isto acontecesse. Pensei que ia ser difícil, mas quando comecei a recolher as assinaturas vi que íamos conseguir”, recorda.
A hora é de festa e todos estão convidados a participar nesta homenagem a uma figura ímpar da vida da Bragança.
A vida continua, e Alice Carpinteiro sabe-o melhor que ninguém. “Estamos cá para dar continuidade ao trabalho dele. Fez uma grande casa e foi um grande cidadão. Tive todas as portas abertas quando quisemos dar-lhe o nome da rua”, agradece.
As recordações ficarão para sempre e o “Bem Falado” continua a unir gerações, a ser ponto de encontro e local de convívio de ricos, pobres ou remediados, com a hospitalidade e os petiscos que todos conhecem.

João Campos

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Redação