Uma viagem a pé até França
Dedicou-se ao contrabando, diz ter sido violada pelos guardas fiscais, assim como outras raparigas que tentavam ganhar a vida entre Portugal e Espanha. Foi casada ainda menina com um senhor de idade, contra a vontade, de quem fugiu mal pôde. Passou ainda por Bragança antes de se lançar numa epopeia: chegar a França “a salto”, com uma filha nos braços, ilegal e sempre a pé. Uma viagem que viria a terminar da pior maneira.
Fomos encontrá-la na sua casa, numa tarde de invernia junto ao lume, na aldeia de Pinelo, no concelho de Vimioso. Na memória tem as histórias de uma vida madrasta.
Era ainda uma menina de 12 anos e já servia de engodo aos guardas fiscais, levando giestas e tomilho num saco para os enganar, protegendo os contrabandistas que passavam por outros caminhos com o contrabando verdadeiro.
“Fazíamos barulho de propósito para chamar a atenção dos guardas, para que viessem atrás de nós e os outros pudessem passar com o contrabando por outro lado, sem serem apanhados”, conta, acrescentando que “quando os guardas portugueses ou os Carabineros espanhóis davam connosco, fugíamos com os sacos que não pesavam nada, para podermos correr melhor”.
Mas sem sempre corria bem. “Uma vez apanharam-nos e levaram-nos para o posto de Vale de Frades e daí trouxeram-nos para Pinelo. Levei uma coça dos meus pais que nem lhe digo, pois não sabiam que eu andava metida nessa vida”, recorda.
Mais tarde, dedicar-se-ia ao contrabando a sério, transportando café, ovos e até farinha até às localidades espanholas vizinhas de Latedo, Alcanices e Seixas.
(Reportagem completa na edição impressa ou pdf. Para ouvir na íntegra no programa Terra Batida, à 5ª feira na Rádio Brigantia, a seguir às notícias das 17:00h)
