Corpo de Deus: Quando as Aldeias Vestem a Fé de Flores e Tradição
O Corpo de Deus continua a ser uma das celebrações religiosas mais bonitas e mais profundamente enraizadas nas terras do Nordeste Transmontano. Ao longo de séculos, esta festa foi muito mais do que uma cerimónia religiosa. Foi um momento de encontro, de comunidade e de demonstração pública da fé de um povo que aprendeu a agradecer a Deus através da simplicidade das suas tradições.
No distrito de Bragança, muitas localidades continuam a celebrar este dia com enorme devoção. Em aldeias como Grijó, Rebordelo, Penhas Juntas, Babe, Parada, Espinhoso, Gimonde, Outeiro, Milhão, Salsas, Izeda, Parâmio, Rabal, França, Varge, Carrazedo, Aveleda e tantas outras, as procissões do Santíssimo Sacramento, para manter vivas as tradições da sua terra.
Uma das imagens mais marcantes continua a ser a dos tapetes floridos. Flores apanhadas nos campos, giestas, rosmaninho, folhas verdes e pétalas coloridas transformam as ruas em autênticas obras de arte efémeras. São horas de trabalho voluntário para que, durante alguns minutos, o Santíssimo Sacramento passe por um caminho digno da solenidade do dia. É uma tradição que encanta quem a vê e emociona quem nela participa.
Em muitas aldeias do concelho de Bragança, de Vinhais, de Vimioso, de Miranda do Douro, de Mogadouro, de Macedo de Cavaleiros e de Alfândega da Fé, as casas continuam a enfeitar-se, os altares são preparados com carinho e os sinos anunciam a passagem da procissão. Nalguns locais, as colchas ainda são colocadas nas janelas. Noutros, os caminhos recebem flores e verdura, numa demonstração de respeito e devoção.
Contudo, os tempos mudaram. Onde antigamente participava a aldeia inteira, hoje muitas vezes são apenas algumas dezenas de pessoas, quase sempre os mais velhos, que asseguram a continuidade destas tradições. O despovoamento e o envelhecimento das aldeias têm deixado marcas. Há lugares onde os tapetes desapareceram, onde os cortejos são mais pequenos e onde algumas cerimónias sobrevivem graças à dedicação de meia dúzia de pessoas.
Mas talvez por isso mesmo estas tradições tenham hoje ainda mais valor. Cada flor colocada na rua, cada altar preparado, cada toque de sino e cada oração representam um gesto de amor pela terra e pelas suas raízes.
O Corpo de Deus continua a ser uma das mais belas expressões da alma transmontana. Uma festa onde a fé, a tradição e a comunidade caminham lado a lado. E enquanto houver alguém disposto a apanhar flores ao amanhecer, a enfeitar uma rua ou a acompanhar a procissão com respeito e devoção, esta herança continuará viva, ligando o passado ao presente e deixando às novas gerações um património que vale muito mais do que qualquer riqueza material.
No próximo domingo realiza-se o 35.º Piquenicão da Família do Tio João, integrado no 25.º Encontro de Gerações do Concelho de Bragança, numa parceria com a Câmara Municipal que entra já no seu terceiro ano consecutivo. O Santuário de Santa Ana, em Meixedo, será palco de um dos maiores convívios populares da região.. Muitos aproveitam para conhecer finalmente as caras das vozes que escutam todos os dias. Será, mais uma vez, uma grande festa do povo.
Nos últimos dias estiveram de Parabéns, a senhora minha mãe, tia Aninhas Sernadela (86) Bragança; Maria José Machado (81) Quintas da Seara (Bragança); Maria Campos (78) Alfaião (Bragança); José Claudino (72) Especiosa (Miranda do Douro); Glória Fonseca (67) Vilar Seco (Vimioso); Maria José Neves (62) Vilarinho de Lomba (Vinhais); Rosa Sampaio (54) Água Revés (Valpaços); Leonel Lázaro (52) Souto da Velha (Torre de Moncorvo); António Lúcio (52) Lebução (Valpaços); António Vaz (51) Bragança; Ana Sucena (51) Couços (Mirandela); Susana Carneiro (42) Bragança; Idália Chaves (41) Couto de Ervededo (Chaves); Márcia Leal (32) Bragança; Carlos Rodrigues (12) Viduedo (Bragança); Matteo Dias (6) Rio Frio (Bragança); para todos muitos parabéns e que continuem a festejar o aniversário connosco!