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População de abutre-preto mais do que duplica no Douro Internacional com projeto LIFE Aegypius Return

População de abutre-preto mais do que duplica no Douro Internacional com projeto LIFE Aegypius Return
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  • 16 de Abril de 2026, 09:53

O projeto científico que luta pela sobrevivência do abutre-preto em Portugal, nomeadamente no Parque Natural do Douro Internacional, não podia estar a correr melhor. O projeto, que arrancou em 2022 e se prolonga até ao final de 2027, prevê aumentar a população reprodutora desta ave, a maior ave de rapina da Europa.

Em Freixo de Espada à Cinta está a decorrer a quinta reunião de parceiros do projeto e, segundo Iván Gutiérrez, biólogo e coordenador do projeto na Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, as metas estão a ser mais que cumpridas.

“Ainda falta um ano e meio para o final deste projeto, mas até agora está a ser bastante positivo porque se têm alcançado muitos dos objetivos que foram pensados no início, nomeadamente duplicar a população de abutre-preto. Quando começamos o projeto estimava-se que havia uns 40 casais de abutre-preto e atualmente há por volta de 115 casais. Temos mais do que superado o objetivo que era atingir os 80 casais e graças a isso também se tem conseguido reverter a situação de emeaça e perigo pela qual a espécie estava a passar.”

A reunião fica também marcada pela devolução à natureza de um grifo. O juvenil, que foi encontrado debilitado, foi recuperado num centro gerido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e é devolvido à natureza, esta manhã, no Miradouro do Carrascalinho, em pleno Parque Natural do Douro Internacional, no concelho de Freixo de Espada à Cinta.

“O miradouro está inserido nas áreas com maiores colónias de grifos, onde há o maior número de ninhos. É um grifo que foi recuperado do centro de recuperação do Gerês, mas sendo este um parque internacional, não existe qualquer abutre. Esta espécie não nidifica lá, utilizam a área para se alimentarem, os indivíduos jovens exploram aquela área mas não seria adequado libertar um grifo naquele território. O ideal é libertá-lo numa zona onde existem outros indivíduos da espécie para que ele se consiga adaptar de novo.”

Apesar dos avanços, os abutres continuam a enfrentar várias ameaças, sobretudo relacionadas com infraestruturas humanas.

“São várias as ameaças. As principais diria que são as colisões e linhas elétricas. São dois tipos de perigos, eles voam e não veem as linhas elétricas e embatem nas mesmas, mas também usam os postos de eletricidade para pousar e aqueles postes que não estão bem protegidos acabam por electrocutá-los. Essa é o tipo de perigo que mais encontramos na mortalidade dos pássaros, mas o abate a tiro e o envenenamento também.”

O projeto LIFE Aegypius Return apresentou um balanço global positivo durante a sua 5.ª reunião de parceiros, que decorreu entre terça-feira e o dia de hoje, em Freixo de Espada à Cinta.


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Written By
Carina Alves