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Modernização ameaça Língua Mirandesa

Modernização ameaça Língua Mirandesa
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  • 10 de Fevereiro de 2009, 10:05

A língua mirandesa sobreviveu ao longo dos séculos devido ao seu isolamento, sendo transmitida através da tradição oral. Actualmente, a globalização da sociedade e a ameaça de outras línguas mais faladas são riscos iminentes ao seu futuro.
Na óptica do investigador e escritor da língua mirandesa, António Bárbolo Alves, o mirandês é de facto uma língua ameaçada, mas não em perigo.
“O mirandês dispõe de algumas circunstâncias favoráveis à sua manutenção, já que obteve um reconhecimento político e uma convenção ortográfica para a normalização da escrita. Agora faltam medidas de preservação inerentes do reconhecimento pelo Estado, que já deveriam ter sido incrementadas, como é o caso do ensino oficial do mirandês nas escolas”, salienta o responsável.
No que diz respeito ao ensino da língua parece haver unanimidade no seio da comunidade de investigadores e linguistas do mirandês.
“Desde que o ensino seja alargado e se criem condições para que o mirandês seja reconhecido aos poucos como uma língua de Portugal e só não dos mirandeses e que internacionalmente possa também ser reconhecida e estudada em várias universidades. Só assim o mirandês terá o seu futuro assegurado”, garante Amadeu Ferreira, escritor de língua mirandesa e um dos investigadores mais activos.

Futuro da “lhéngua” depende também do seu ensino, bem como de uma carreira docente para os professores de mirandês

Aquele estudioso vai mais longe ao afirmar que as leis não mudam a realidade, apenas criam condições para que essa mudança aconteça. “A mudança depende das pessoas e das instituições. O que se passou é que os mirandeses não quiseram esperar que a lei desse resultado por ela mesmo, mas trataram de arregaçar as magas e trabalhar, tornado a acreditar que era possível começar uma nova era para a sua língua”, realçou Amadeu Ferreira.
Outro dos pontos que é preciso ter em conta para que o mirandês dê o salto em frente, que é comum a todos os estudiosos, investigadores e falantes do mirandês, é a criação de uma instituição central apoiada pelo Estado, que faça desenvolver a língua. Por outro lado, é premente assinar a Carta Europeia das Línguas Regionais e Minoritárias do Conselho da Europa. Outro dos anseios é integrar o mirandês no serviço público de rádio e televisão, dando o tempo correspondente à sua representatividade.
Por seu lado, Júlio Meirinhos, ex-deputado e considerado o “pai” da lei do mirandês, considera essencial o reconhecimento oficial da língua mirandesa, mas também o seu ensino, uma carreira docente para os professores de mirandês e a criação de uma instituição central para a defesa da “lhéngua”.
“A língua mirandesa é um produto turístico vendável, já que há turistas que se deslocam à região só para ouvir falar a “lhéngua”. Ela está presente um pouco por toda o concelho, seja em placas toponímicas, panfletos ou centros históricos”, salienta Júlio Meirinhos, actualmente vice-presidente da Entidade Regional do Turismo do Porto e Norte.

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Redação