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Cães em estado grave

Cães em estado grave
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  • 27 de Janeiro de 2009, 10:10

Durante uma semana, foram reunidas cerca de 120 amostras no distrito, que serão encaminhadas para o laboratório da Unidade de Leishmanioses do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, para serem analisadas.
Esta iniciativa decorreu no âmbito da semana dedicada a esta doença, uma iniciativa pioneira a nível europeu, da responsabilidade do Observatório Nacional das Leishmanioses. O rastreio, que tem como objectivo estudar a prevalência desta doença em Portugal, contou com a adesão de duas clínicas veterinárias em Bragança e uma em Mirandela.
Na óptica do médico veterinário Duarte Diz Lopes, este rastreio é importante para conhecer as características da doença, como também para desenvolver medidas de educação e prevenção da Leishmaniose adequadas às exigências de cada região. “Existem zonas de maior risco de disseminação do que outras”, alerta o veterinário.
O responsável realça, ainda, que com a utilização de um método de diagnóstico uniforme a nível nacional é possível obter resultados mais fiáveis.
Além disso, Duarte Diz Lopes revela que os resultados dos estudos clínicos efectuados no Nordeste Transmontano mostram que a situação dos canídeos no que respeita a esta doença é considerada grave. “Apesar de até ao momento se terem feito, apenas, estudos pontuais, posso dizer que, de acordo com a minha prática clínica, desde há 10 anos são diagnosticados 20 novos casos por ano, o que representa uma taxa de prevalência elevada da doença”, sustenta Duarte Lopes.

No Alto Douro, há registo de Leishmoniose nos canídeos, mas também nos humanos

A zona do Alto Douro é aquela onde há registos de casos mais graves da Leishmoniose, tendo já sido detectada a doença nos humanos. “Pela informação que tenho, na área da Terra Fria não tem havido registo de casos em pessoas, apenas, em animais”, revela o médico veterinário.
No caso dos animais infectados, o próximo passo é o tratamento. No entanto, Duarte Lopes realça que a prevenção é essencial, visto que estamos perante uma patologia frequente. “Não há vacina para prevenir a Leishmoniose, por isso o importante é utilizar métodos eficazes, como é o caso de repelentes de insectos durante o período activo do parasita, entre Maio e Outubro”, frisou o responsável.
Duarte Lopes realça que estamos perante uma doença vectorial, que só se transmite pelo mosquito e não através do animal. Mesmo assim, recorda que, no caso de haver qualquer suspeita, os donos dos cães devem dirigir-se, de imediato, a um médico veterinário para ser feita a análise.
O rastreio passou por 53 cidades e vilas portuguesas de Norte a Sul do País. 130 clínicas veterinárias recolheram mais de 3 mil amostras para serem, posteriormente, analisadas. Depois de feito o levantamento da prevalência da Leishmoniose serão desenvolvidas ferramentas para a prevenção desta doença de evolução crónica que, sem tratamento, leva à morte do cão.
Como é transmissível ao Homem deve ser seguida de perto, visto que constitui um risco para a Saúde Pública.

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Redação