Classificação para salvar Linha do Tua
Na óptica da responsável, “é uma anomalia que a Linha do Tua não esteja já inventariada como património a classificar, no âmbito do Plano Intermunicipal do Alto Douro Vinhateiro, um instrumento criado para dar andamento aos compromissos assumidos com a classificação do Alto Douro Vinhateiro pela UNESCO”.
A dirigente realça que o último troço ferroviário activo na região é considerado uma das vias estreitas mais belas do mundo e uma obra rara de engenharia ferroviária portuguesa que, associada ao rio e às escarpas que compõem a paisagem envolvente, são um atractivo para os turistas.
A taxa de ocupação das automotoras tem vindo a diminuir na sequência dos sucessivos acidentes, que nos últimos dois anos já tiraram a vida a quatro pessoas, e que associados à construção da barragem de Foz do Tua são uma ameaça para o futuro da linha.
Para Manuela Cunha, o Douro Património Mundial já deveria ser um entrave à construção da barragem, visto que a parte da Linha do Tua que irá ficar submersa faz parte da paisagem classificada pela UNESCO.
Autarcas transmontanos acreditam que o desenvolvimento da região passa pelo regresso do comboio
Segundo a dirigente, o Estado não está a cumprir as suas obrigações e está mesmo a omitir informação sobre a construção da albufeira àquela organização mundial. “Em Outubro, a UNESCO ainda não tinha recebido qualquer informação do Estado português sobre o assunto”, denuncia Manuela Cunha.
Neste sentido, a responsável garante que “Os Verdes” vão enviar os dados mais recentes sobre a construção do empreendimento àquele organismo internacional.
No âmbito do debate, o MCLT apresentou, ainda, números que revelam que a reconstrução da Linha do Tua até Bragança ficaria mais barata do que a construção da auto-estrada. Baseando-se no trabalho da FEVE – Via Estreita Espanhola, o movimento revela que um quilómetro de ferrovia custa 123 500 euros por quilómetro, ao passo que qualquer quilómetro de auto-estrada ronda os 3 milhões.
Perante os números, o presidente da Câmara Municipal de Mirandela, José Silvano, considera que, no futuro, a ligação ferroviária a Espanha pode ser mais sustentada do que a Auto-Estrada Transmontana.
Já o vice-presidente da Câmara Municipal de Bragança, Rui Caseiro, defende uma ligação de caminho-de-ferro até à Puebla de Sanábria, bem como a reabertura da ligação ferroviária Barca d`Alva- Salamanca.

