Transmontanos rendem-se ao yoga
Trata-se duma ciência experimental que assenta na consciência e combina o cultivo da ética e dos valores morais individuais e sociais com o domínio da respiração, do corpo e da mente.
Só quem o pratica pode sentir os seus efeitos e benefícios na vida quotidiana, tal como o Jornal NORDESTE constatou no Centro de Yoga Shanti, que assegura aulas em Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela.
A nossa reportagem participou num sessão realizada na capital de distrito ao final da tarde, onde 15 pessoas de ambos os sexos, duas vezes por semana, se entregam a esta prática, que desperta o potencial humano e permite obter paz interior através da correcta utilização do corpo, da mente e da respiração.
Mas, afinal, em que consiste uma aula de yoga? Essencialmente, divide-se em quatro partes: Técnicas de respiração para purificação e aquecimento do corpo; Técnicas físicas que consistem em exercícios físicos combinados com a respiração correcta; Técnicas de relaxamento em que o aluno aprende a sentir o corpo, a libertar-se de todas as tensões e a desligar-se da actividade mental, permitindo assim que a mente repouse, arrume as ideias e, por fim, as técnicas de concentração.
“Nesta última fase a mente vai-se focando no momento, no espaço interior que se encontra fazendo brechas na corrente de pensamento e que permite desfrutar do estado de silêncio, de paz e quietude interior.”, explica a directora do Centro de Yoga Shanti, Lourdes Sotto Mayor.
“Embora as aulas se realizem em conjunto, cada aluno tem exercícios que se adaptam à sua condição física”
As técnicas que caracterizam a prática abrangem todos os aspectos do ser: o físico, o mental, o intelectual, o psicológico e o energético e, naturalmente, os benefícios são sentidos em todas estas áreas, não tanto na aula mas na vida do dia-a-dia. “Tem-se mais vitalidade, força e resistência, não só ao nível do trabalho físico, mas também no trabalho intelectual. Há uma maior serenidade e confiança no desempenho de todas as actividades o que resulta numa maior rentabilidade e aproveitamento do tempo”, salienta a responsável.
Lourdes Sottomayor fixou-se em Trás-os-Montes em 2003, numa altura em que se deslocava, quinzenalmente, de Lisboa a Macedo de Cavaleiros, para fazer para fazer terapia de Shiatsu numa Clínica de Terapias Naturais. “Apaixonei-me por Trás-os-Montes, pela qualidade de vida, pela natureza, pelas paisagens, em algo semelhantes a África, que amo muito, porque sou de lá. Quando os clientes souberam que também era professora de yoga, pediram-me que viesse cá dar aulas. Claro que seria impossível fazê-lo sem estar cá radicada”, recorda.
Com aulas a decorrer nas três principais cidades do distrito de Bragança, é Lourdes Sotto Mayor que assegura todas as actividades realizadas nos centros. “Embora as aulas se realizem em conjunto, cada aluno tem exercícios que se adaptam à sua condição física e são guiados individualmente para sua evolução”, assegura a responsável.
Apesar da prática ter vindo a aumentar, Lourdes Sotto Mayor reconhece que ainda há pouca informação sobre o yoga. “Pensamos que é algo transcendente, que é muito difícil, que requer muita concentração, que é muito parado ou que é só para mulheres. Nada mais errado. O yoga é para todos, homens e mulheres, desde os 6 anos e para o resto da vida. Tenho alunos com mais de 70 anos”, sublinha a directora do Centro Shanti.

