Bombeiros de Macedo planeiam greve de zelo
Numa nota à comunicação social, os soldados da paz preferem manter o anonimato e manifestam-se em nome do “Corpo Activo dos BVMC”. No documento, os bombeiros justificam que não se identificam porque “o mundo dos bombeiros é demasiado frágil”, pelo que se dessem o nome “seriam alvo de represálias”.
No entanto, o “corpo activo”garante que, se as condições de trabalho dos bombeiros não forem melhoradas e se os diferendos entre a Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros (CMMC), direcção e comando dos BVMC não forem solucionados com brevidade, avançarão com “uma greve de zelo e desrespeito pelas escalas estipuladas”. Caso esta manifestação se confirme, os soldados da paz asseguram que “irá pôr em causa todo o socorro no concelho de Macedo de Cavaleiros”.
No comunicado, os bombeiros realçam que o facto da autarquia local não aderir ao programa do Governo “põe em causa a capacidade de resposta atempada para um socorro eficaz de todas as pessoas”.
O “corpo activo” salienta que a corporação “não tem capacidade de resposta em menos de 15 minutos em caso de incêndio e, na maioria das vezes, em caso de acidente ou emergência médica não é inferior a 5 minutos”. Perante isto, lembram que a “demora pode tornar-se letal e ter prejuízos materiais elevadíssimos”.
Câmara de Macedo considera que “não estão reunidas as condições” para a criação de equipas de bombeiros profissionais
Na opinião dos soldados da paz, a criação das “equipas de intervenção iria reduzir o tempo das saídas e diminuir os danos causados pelos incidentes”.
A recusa da CMMC aderir à proposta do Governo, é encarada pelos bombeiros como “uma ofensa e um não reconhecimento da actividade exercida pelos soldados da paz durante anos”.
Já o presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Beraldino Pinto, defende que “não estão reunidas as condições para a criação destas equipas”, uma vez que “as regras do programa não são claras”, considera.
“Há muitas questões em aberto. Temos que ver se este é o caminho da profissionalização ou se é, apenas, uma experiência, tornando os bombeiros funcionários e dando-lhe alguma formação”, defende o edil.
Na óptica de Beraldino Pinto, este programa não visa criar equipas permanentes, uma vez que a permanência garantida é inferior a 20 por cento. “ Além disso, é um regime que não considera férias, nem as faltas e licenças que a legislação permite. Iria um voluntário substituir um profissional?”, questiona o autarca.
Por isso, Beraldino Pinto defende que este programa deve ser discutido de forma integrada, para garantir a estabilidade das equipas.

