(R) evolução feminina na banca
Na banca desde 1992, o percurso de Alexandra Salgado baseia-se, sobretudo, em trabalho, persistência e determinação para fazer valer o sonho antigo.
Passando por várias áreas de negócio, a gerente confessa que este é um cargo que nada fácil. “Tive a sorte de estar sempre rodeada por pessoas que muito me ensinaram, pelo que fui crescendo enquanto percorria o caminho”, sublinhou a responsável.
Segundo Alexandra Salgado, só agora é que as mulheres começam a ser vistas como líderes, capazes e conscientes das suas próprias capacidades. “Em tempos éramos apenas mais um elemento dentro de uma equipa para fazermos o que os machões não queriam”, recorda. Contudo, “com o passar do tempo, fomos sabendo impor-nos no mercado de trabalho, o nosso valor foi reconhecido gradualmente e fomos chegando lá, com algum custo, mas nunca desistindo”, acrescenta.
Esta (r) evolução deve-se, na óptica da responsável, à capacidade feminina em saber conciliar a carreira profissional, com a vida pessoal e familiar. “Ser mulher bancária, por vezes, não ajuda muito, mas com simpatia, cordialidade, persistência e determinação, vamos conseguindo dominar”, salienta. No entanto, “alguns homens ainda não sabem distinguir e perceber que uma mulher também usa calças e que, pelo facto de estarmos em minoria neste sector, também somos capazes”, lamenta.
Gerentes acreditam que diferenças entre homens e mulheres da banca se têm vindo a atenuar
Já Raquel Brás teve o contacto inicial com a banca nas primeiras férias lectivas durante o curso de Gestão que frequentou em Vila Real. Enquanto os seus amigos e colegas se divertiam em brincadeiras e entretenimentos próprios da idade, Raquel Brás passava os meses de Verão atrás do balcão de uma instituição bancária, onde deu os primeiros passos no sector. “A Universidade tinha um protocolo com um banco que permitia que estudantes fossem estagiar para um dos seus balcões e eu comecei logo nas minhas primeiras férias”, recorda a gerente.
Este ritual repetiu-se até ao último ano do curso, altura em que a instituição bancária lhe propôs um contrato. “Apesar de ainda estudar, fiquei, pois desde criança que gostava da banca. Com 17 anos cheguei a ir pedir emprego ao gerente de um banco que me mandou estudar para casa”, recorda a responsável.
Depois de desempenhar diversas funções em diferentes entidades, chegou a gerente com, apenas, 28 anos. “O facto de eu ter dado todos os passos, desde estagiária, caixa, gestora de particulares e empresas e sub-gerente permite-me ter uma polivalência maior, pois ganhei experiência em todos os aspectos”, sublinha Raquel Brás.
O facto de ser jovem e mulher nunca foi pretexto para ser discriminada ou desvalorizada perante os homens. “Não senti diferença alguma e nunca fui passada para trás, pois na banca, como noutros sectores, o importante é provar que se é capaz de fazer mais e melhor. Mostrando isso, não temos qualquer desvantagem em relação aos outros, até porque os desafios são os mesmos para todos”, garante a gerente.
Responsáveis acreditam que mulheres têm qualidades para estarem à frente de balcões bancários
Também Susana Fontes assegura que nunca foi alvo de discriminação num sector tão competitivo e exigente como a banca. Oriunda do Porto, há cerca de um ano e meio que está a residir em Bragança, onde assumiu o cargo de gerente bancária. “Sempre tentei agarrar as oportunidades que surgiram e nunca senti diferenças por ser mulher”, asseverou.
Depois de alguns anos a trabalhar em diversos sectores, Susana Fontes ingressou numa instituição bancária, onde acreditava que poderia crescer profissionalmente. “Inicialmente, senti-me um pouco frustrada, pois o trabalho era limitativo, mas quando passei para um balcão com muito movimento, percebi que a banca era diferente. Gosto do que faço pela diversidade de assuntos e porque cada dia é um desafio”, explicou a gerente.
Ao longo do seu percurso ligado à banca, a responsável assegura que nunca foi discriminada e acredita, mesmo, que as mulheres têm algumas vantagens em relação aos homens. “Ficamos mais atentas a outras situações e lidamos bem com o lado humano. E enquanto que nós somos mais calmas e serenas, também conseguimos ter a frieza necessária para certas ocasiões”, sublinhou.
Na óptica de Susana Fontes, a evolução das mulheres a nível profissional é um processo lento e relativamente recente. Contudo, “estamos no bom caminho, porque temos vindo a assumir papéis que antes eram de homens”, garante.

