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O Natal dos imigrantes em Portugal

O Natal dos imigrantes em Portugal
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  • 16 de Dezembro de 2008, 11:46

O jejum de 40 dias é a preparação dos católicos (que se concentram sobretudo no Oeste do país, junto à Polónia) e dos cristãos ortodoxos (distribuídos mais pelo leste, portanto mais sob influência russa) para a grande festa de Natal.
À mesa de todos os cristãos são obrigatórios 12 pratos, embora a fartura seja só aparente: a carne e os produtos lácteos estão proibidos nessa noite e, no caso ortodoxos, as proibições estendem-se às gorduras, azeite, banha e manteiga, todas elas fora de questão. Mesmo que falhem alguns pratos, a Kutia é fundamental. Trata-se de um prato de trigo cozido, servido com mel, passas de frutas e nozes, a que se juntam sementes de papoilas. O trigo representa a fartura e o progresso, e o mel simboliza que a vida deve ser temperada com a alegria da saúde, do bem-estar, na amizade e união familiar.
Segundo Serguei Oleg, um ucraniano há dez anos em Bragança, numa refeição muito vegetariana, não pode faltar o Borsctcht (sopa de beterraba e repolho, servida com pão de centeio, o mletzi (pastéis pequenos, tipo ravioli, com recheios diversos) e o varéneke (espécie de pastel com recheio de requeijão para os não ortodoxos), batatinha amassada ou repolho, cozido em água fervente.
Há ainda o holobtsí (rolo em forma de charuto, com trigo sarraceno enrolado com folha de repolho, cozido no vapor ou em banho-maria) e o kryjalhkê (espécie de repolho cozido, temperado com água, sal e iguarias), a que se juntam os peixes em conserva, numa refeição em que, reforce-se, o azeite e a gordura animal estão proibidos, porque ainda se celebra a Quaresma Ucraniana.
Na véspera de Natal, ninguém trabalha, mesmo tendo que enfrentar a incompreensão dos patrões.

Pouco a pouco, a comunidade chinesa vai integrando o Natal nas suas festas anuais

Já as crianças ucranianas não têm direito a prenda no dia de Natal, mas acabam por ter mais sorte, pois recebem os presentes no dia 19 de Dezembro, dia de S. Nicolau, e a 1 de Janeiro, sempre segundo o nosso calendário.
Já a comunidade chinesa, sendo maioritariamente de outras religiões que não a cristã, não vive o espírito de Natal. Há três anos em Bragança, Zheng Chun Lan, ainda não adopta as tradições de enfeitar a casa e de comer o tradicional bacalhau e peru. A sua maior preocupação é se a sua loja de roupa aumenta as vendas com a quadra natalícia.
Pouco a pouco, a comunidade chinesa vai integrando o Natal nas suas festas anuais. “A única coisa que faço de diferente no dia 25 de Dezembro é fechar a loja, e ir almoçar fora com outros familiares chineses que tenho cá em Bragança”, recorda Segundo Chun Lan.
Os aspectos religiosos que tanto caracterizam o Natal, são completamente desconhecidos pelos chineses, que só trocam prendas no primeiro dia do ano.
Também a nível gastronómico as tradições portuguesas não foram adoptadas por Zheng Chun Lan, que desconhece o típico bolo-rei, as rabanadas, as broas de Natal e as fatias douradas. A tradicional ceia com bacalhau e peru, que se come na noite de 24 para 25 de Dezembro, é outro dos hábitos que passa ao lado da comunidade chinesa.

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Redação