A folia de Ousilhão
Organizada por quatro mordomos, que têm a missão de a realizar no ano seguinte, a Festa de Santo Estêvão ou dos Rapazes conta, ainda com a participação do rei, dois vassais, um gaiteiro e um tamborileiros e um grupo de mascarados que dão vida a toda a cerimónia com as suas tropelias. “No dia de Natal é a Festa do Menino, em que os moços dão a volta à aldeia e fazem um peditório em sua homenagem. Já no dia seguinte, é a Festa do Santo Estêvão, em que os moços e os mascarados entram nas casas para pedir e roubar fumeiro sempre a cantar e dançar”, explicou o presidente da Junta de Freguesia de Ousilhão, Carlos Vaz.
Nas habitações, primeiro entram os moços para dar as boas festas, onde cantam e dançam à volta de uma mesa enfeitada propositadamente para esta cerimónia, recebendo em troca algum dinheiro ou fumeiro. Posteriormente, é a vez dos Caretos animarem e desarrumarem as casas, onde levam a confusão com os seus barulhos e movimentos travessos e foliões. Já nas ruas, cercam mulheres e crianças, aproveitando os charcos de água para sujar quem passe.
Após o jantar, entra em cena a Galhofa, sempre acompanhada do som de gaita-de-foles. Trata-se de uma tradição, que normalmente decorria em currais e que reunia rapazes a um lado e raparigas a outro. “Os jovens dançam a música do gaiteiro numa festa que dura toda a noite, durante a qual o rei lhes dá de beber por um cântaro”, sublinhou o autarca.
O cortejo em direcção à igreja, onde decorre uma missão em honra do Santo Estêvão, é outro dos pontos altos da tradição, já que conta com a presença dos mascarados, gaiteiro, seguido pelos quatro moços e pelo rei com os seus dois vassais.
À porta do templo, é colocada uma mesa comunitária destinada ao povo, de um lado, com, apenas, pão e vinho, e, de outro, ao rei, recheada com pão-de-ló, vinho e outros saborosos petiscos.
“O padre serve o rei e, posteriormente benze a mesa, enquanto os moços distribuem pão e vinho pelo povo. De seguida, é coroado o novo rei e, é aqui que já entram os mascarados que, até então, não podiam participar na cerimónia”, acrescentou Carlos Vaz.
Além das tradições, turistas aproveitam para conhecer património histórico
A par dos mascarados e das antigas tradições que atraem curiosos de toda a Europa, Ousilhão é conhecida pelo seu património histórico e arqueológico que comprovam o seu povoamento já no período castrejo.
Assim, um dos pontos de paragem obrigatória é o Castro de Santa Comba que reúne marcas visíveis de romanização, sendo que, do lado norte, tem um fosso defensivo, um espigão da muralha e diversos vestígios de ocupação humana. Já o Monte do Castro, também conhecido por Feira ou Toural dos Mouros, localizado a sul da freguesia à altitude de 1.078 metros, era um antigo povoado castrejo romanizado, do qual ainda restam o fosso e parte das muralhas.
“Já foram habitados e conseguem-se ver objectos antigos e pedras que foram mexidas, mas, infelizmente, não temos dinheiro para as pesquisas”, sublinhou Carlos Vaz.
Os curiosos podem, ainda, passear pelas ruas de Ousilhão, que percorrem os setes bairros que integram a aldeia: Fontão, Cabanelas, Campaço, Ameã, Bairro-de-Baixo e Bairro-de-Cima, onde podem apreciar as tradicionais construções da região.

