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Jovem empreendedora aposta nos licores

Jovem empreendedora aposta nos licores
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  • 25 de Novembro de 2008, 10:37

Tudo começou há quatro anos, quando Manuela decidiu conciliar o emprego com a confecção de alguns licores que vendia em feiras de artesanato, através da Empresa Municipal de Vimioso. “Comecei a fazer algumas experiências e, como sempre quis ter o meu próprio negócio e a precariedade dos empregos era uma constante, decidi avançar para a criação da minha empresa”, conta a jovem.
Formada em Comunicação e Relações Económicas, esta empresária começa a implementar o seu produto no mercado. De várias tonalidades, sabores e aromas, os licores produzidos por Manuela Rosário já se encontram à venda em lojas de Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e, mais recentemente, em Braga. “Também já foram estabelecidos contactos para colocar do produto noutros pontos do País, nomeadamente em Lisboa”, realça.
A mini-fábrica de Manuel Rosário está licenciada para produção industrial, tal como a lei exige, mas o curioso é que esta empresária ainda trabalha de forma artesanal. Desde os rótulos, ao embalamento e acondicionamento do produto é tudo feito à moda antiga, pelo que a empresária está a requerer a carta de certificação de modo de produção artesanal. A laborar desde o início do ano, esta pequena empresa já produziu cerca de mil garrafas de licor de cereja, com 0,25 centilitros, registando-se um aumento para 1500 no que toca ao sabor a amora.

Manuela Rosário tem produção de licores garantida durante todo o ano com os diversos frutos sazonais

A lista de frutos e ervas aromáticas que Manuela Rosário transforma em aperitivos de várias cores, sabores e aromas é extensa. Na época de Outono, o licor mais procurado nas feiras temáticas foi o de castanha, mas no mercado também podem ser encontrados licores de frutos silvestres, de frutos vermelhos, de cereja, de ginja ou de noz. “O licor de casca de noz verde é um dos meus preferidos”, desvenda.
O trabalho requer perícia e sabedoria recolhida junto das pessoas mais antigas da aldeia e aprofundada através de um vasto trabalho de investigação. Já o alambique utilizado para destilar os frutos foi herdado do avô, que já se dedicava ao fabrico de aguardente.
“Cheguei à conclusão que já tinha tudo aquilo de que precisava para criar um bom negócio”, salienta Manuela Rosário.
Aliar a tradição à qualidade é o lema da jovem empresária. “Em Santulhão é tradição, na altura da Páscoa, beber um copinho de licor a acompanhar o folar”, enfatiza.
Como a produção de licores é muito trabalhosa, Manuela Rosário deixou a carreira na área da Comunicação para apostar no negócio dos licores. “Há todo um processo burocrático moroso, pelo que o lançamento de um produto pode demorar cerca de 4 meses”, reconhece.
No entanto, a empresária realça que os conhecimentos ao nível da Comunicação são fundamentais para promover o produto no mercado. “Se não conseguirmos falar do nosso produto e torná-lo atractivo aos olhos do consumidor, a comercialização não funciona”, realça. Com a marca “Escurropichar”, os licores de Manuela Rosário começam a conquistar o mercado. “A comercialização ainda está numa fase inicial, mas as pessoas a quem levei o produto já me fizeram a segunda encomenda e isso para mim já é muito gratificante”, enaltece.
No futuro, esta jovem empresária gostaria de conciliar o fabrico de licores com o turismo rural. “Se nós não apostarmos no desenvolvimento regional ninguém vai apostar por nós”, conclui Manuela Rosário.

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Redação