De funcionária pública a empresária
Depois de 37 anos de trabalho na Função Pública, o ramo da Prestação de Serviços Administrativos e Fiscais foi o caminho escolhido para manter o contacto com as pessoas e para continuar realizada no plano profissional.
Os clientes são vistos pela empresária como amigos que ficam para a vida. “Não é por acaso que as pessoas no Natal me telefonam. Mesmo depois de ter acabado a relação ao nível do trabalho, as pessoas fazem questão de me vir visitar e isso é muito gratificante para mim”, regozija-se a empresária.
Cândida Martins conta que este projecto surgiu em parceria com um colega solicitador, com quem deu os primeiros passos depois de se aposentar. “Inicialmente, trabalhei no gabinete dele, em Macedo de Cavaleiros, e foi aí que ganhei este bichinho. Depois instalei-me em Bragança e, actualmente, ainda colaboramos. Este gabinete só faz sentido com o apoio do solicitador Armando Mendes”, sublinha.
Natural de Macedinho, uma anexa da Trindade, no concelho de Vila Flor, a empresária passa os dias a ajudar os clientes a tratar de burocracias nas diversas repartições públicas. “Acompanho as pessoas às Finanças, no caso de necessitarem de identificar propriedades, à Conservatória para efectuarem registos ou legar prédios, também dou apoio ao nível da renovação de cartas de condução e colaboro com os clientes em todo o tipo de documentação”, revela.
Mais recentemente, a empresária alargou a actividade à legalização de veículos. “Acho que havia uma lacuna na cidade nesse campo e espero contribuir para a colmatar”, acrescenta.
Depois de reformada, Cândida Martins é empresária, dona de casa, mãe e avó
Deixar de ser funcionária pública para se tornar empresária num ramo que lida directamente com as repartições públicas é um desafio para Cândida Martins, que vê do outro lado aquilo que fez durante uma vida. “Apesar de agora as instituições serem mais cooperantes com os utentes, há muitas questões burocráticas que são uma dor de cabeça para muitas pessoas”, reconhece.
Ao longo do percurso profissional, Cândida Martins afirma que nunca sentiu dificuldades acrescidas pelo facto de ser mulher. “As mulheres são persistentes”, afirma.
No entanto, recorda uma situação de “machismo” de que foi vítima durante o tempo em que trabalhou na área da fiscalização, numa repartição de Finanças do Porto. “Nessa altura, tive que me impor. Foi a única vez e depois de resolver a questão ficamos amigos”, conta.
Mesmo assim, a empresária lembra que trabalhou 14 anos rodeada de homens e realça que são “excelentes colegas”.
Actualmente, Cândida Martins concilia as funções de empresária, com as tarefas de dona de casa. É mãe e, mais recentemente, tornou-se avó. “Não consigo abdicar da vida familiar, como não consigo abdicar de trabalhar. Eu podia estar em casa e ser uma reformada, mas para mim não faz sentido viver só da lida da casa. Tenho que andar nesta luta e fazer muitas coisas ao mesmo tempo para me sentir viva”, vinca.
Com o apoio da família, a empresária garante que tem vontade de continuar a trabalhar neste ramo durante muitos anos.

