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Certificação da castanha não funciona

Certificação da castanha não funciona
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  • 18 de Novembro de 2008, 10:51

Em Trás-os-Montes (TM) existem duas DOP: a Castanha da Terra Fria, com uma área de cerca de 20 mil hectares (ha) divididos por oito concelhos, e a da Castanha da Padrela, que abrange uma área de 5 mil ha e quatro municípios.
“80 por cento da área da DOP da Terra Fria pertence aos concelhos de Vinhais – Bragança e Macedo de Cavaleiros. Já a DOP da Padrela centra-se na zona de Carrazedo de Montenegro”, explica José Laranjo, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e coordenador do projecto “RefCast”, que pretende revolucionar o sector da castanha em Portugal.
As DOP`s transmontanas têm associados dois sistemas de produção e duas variedades completamente diferentes, que não são reconhecidos pelo mercado. Enquanto na Terra Fria a variedade predominante é a “longal”, na zona da Padrela a maioria da castanha é “judia”.
Num estudo realizado para a tese de doutoramento, em 2005, o professor da UTAD, Manuel Tibério, verificou que em TM não há castanha certificada. Na zona de Carrazedo de Montenegro ainda houve algumas tentativas para usar a qualificação DOP para vender o produto nas feiras, mas as acções foram muito restritas e sem expressão no mercado.
Três anos depois, a certificação da castanha da região continua na gaveta, uma vez que o selo de qualidade não é valorizado pelo mercado.
“Como os clientes não pagam mais pela certificação, os produtores não estão dispostos a ter encargos com o selo de qualidade”, explicou o coordenador técnico da Associação Florestal da Terra Fria Transmontana – Arborea, António Borges.
Cerca de 90 por cento da castanha colhida na região é exportada para o Brasil, França e Espanha, e, apenas, entre 5 e 10 por cento é consumida em Portugal, a maioria por altura do S. Martinho. “Aquilo que o mercado pede é castanha calibrada e a granel. Não há procura de produto certificado. Por isso, da maneira que o mercado está organizado actualmente, a certificação não compensa ao produtor”, adverte o responsável.

Produtores de castanha não apostam na certificação porque o mercado não paga o selo de qualidade

Já o presidente da Associação Regional de Agricultores das Terras de Montenegro, Flávio Sousa, afirma que os produtores não têm necessidade de certificar o produto, porque tem venda garantida a preços rentáveis.
Utilizar o selo de qualidade também só faz sentido para vender o fruto embalado, para que a DOP chegue ao consumidor final. No entanto, as quatro unidades de comercialização e embalamento existentes em TM também não apostam na certificação.
Numa perspectiva de marketing e comunicação, José Laranjo realça que faz todo o sentido fundir as duas DOP transmontanas. “Indirectamente o País já assume a DOP Trás-os –Montes”, acrescentou o responsável.
No País existem mais duas DOP`s, designadamente a Castanha dos Soutos da Lapa e a Castanha do Marvão, que também se encontram “adormecidas”. “Ainda bem que as DOP`s existem, porque podem ser usadas a qualquer momento. A nossa castanha é biológica e é um produto de qualidade. Numa perspectiva de evolução do mercado, o produtor pode ter necessidade de apostar na certificação”, concluiu António Borges.

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Redação