Santa Cruz leiloa a Terra dos Santos
Trata-se de uma tradição que se perde no tempo e na memória das gentes de Santa Cruz, mas que continua a atrair, no Dia de Todos os Santos, um elevado número de pessoas com ligações à aldeia. “Todos os anos, sem excepção, algumas pessoas saem com o carro de bois, puxado por homens, para o monte, onde roubam lenha e castanhas”, explicou Nuno Pinto, membro da Associação “Os Raposos de Santa Cruz”, que, em conjunto com outras entidades, organizou esta iniciativa.
Após carregarem o “meio de transporte”, os homens voltavam a puxar o carro de bois, em direcção à aldeia, onde o “material” roubado era deixado. “Diz-se que, sendo feriado, os animais não saíam para trabalhar, pelo que teriam que ser os próprios homens a puxarem os carros de bois”, adiantou o responsável.
Uma vez acesa a fogueira, é tempo de confeccionar caldo-verde no pote e assar carne e sardinhas para a população. Depois de retemperadas forças, assam-se as castanhas, bebe-se a jeropiga e enfarruscam-se as caras, numa festa que se prolonga noite dentro.
Terrenos públicos da aldeia são leiloados no Dia de Todos os Santos
Além do magusto tradicional, Santa Cruz é conhecida pelo remate público dos terrenos do povo. São seis terras com utilidade, entre pasto e cultivo, que são leiloadas logo pela manhã para, durante um ano, passarem a pertencer a quem fizer a maior oferta. “Os terrenos são do povo e quem der mais por eles pode utilizá-los ao longo de um ano para o fim que entenda”, explicou Nuno Pinto.
Assim, os “proprietários” podem colher e produzir frutos, legumes e hortaliças nas terras cultiváveis, apascentar animais nos lameiros ou retirar alguma lenha.
“As verbas angariadas destinam-se à Junta de Freguesia ou à Igreja, pois os terrenos não são de ninguém, são de todos. Chamam-se terras dos Santos”, adiantou o responsável.

