Mau estado da Linha do Tua origina dois acidentes
O inquérito elaborado para apurar as causas do acidente de 6 de Junho, que feriu 3 pessoas, já tinha revelado falhas na via.
No documento é referido que “não foi possível recolher elementos de prova que levem a conclusões definitivas sobre as reais causas do acidente”, mas a Comissão de Inquérito alertou que o descarrilamento pode ter sido originado por “irregularidades do traçado, associadas à diferença geométrica entre as cabeças do carril ‘novo’ e do ‘usado’”.
Dois meses depois, uma automotora descarrilou com 50 passageiros a bordo. O incidente ocorreu a 22 de Agosto e provocou um morto e dezenas de feridos.
O relatório final elaborado pela Comissão de Inquérito, constituída por representantes da REFER, CP e do Metro Ligeiro de Mirandela, concluiu que o acidente foi provocado por um assentamento da via, conjugado com defeitos de alinhamento e as características desadequadas do material circulante.
Numa análise ao documento lê-se que a linha, no local do acidente, “apresenta defeitos grosseiros e facilmente identificáveis a partir do levantamento da via travessa a travessa”, que “ são suficientes para justificar o descarrilamento”.
A escala das curvas é outra das causas apontadas para o sinistro. O relatório esclarece que, ao longo da linha férrea, há quatro curvas com “excesso de escala para as velocidades que se praticam”.
Relatório revela que falta investimento ao nível da segurança na Linha do Tua
O mau estado das travessas é outro dos defeitos apontados pela Comissão de Inquérito, que consultou empresas externas ao processo. Foram encontradas travessas que “necessitam de subsituação imediata”. Além disso, a distância entre elas é irregular e algumas das travessas remontam a 1968.
O documento revela, ainda, que “os carris tipo C40 são demasiado rígidos, em comparação com a leveza das automotoras, e não se adaptam por si só em situações de deficiência na plataforma da via”, o que pode provocar acidentes.
Confrontado com esta situação, o presidente do Metro de Mirandela e da autarquia local, José Silvano, mostra-se satisfeito por este ser o primeiro relatório a revelar as causas objectivas dos acidentes e aguarda uma intervenção na linha que permita a reabertura com condições de segurança para os passageiros.
“O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, deu um prazo de 15 dias ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, para elaborar um relatório com os investimentos necessários para a segurança da linha”, recordou o responsável.
Questionado sobre a falta de investimento na via, José Silvano realça que este relatório revela que aquilo que estava a ser feito pela REFER não era suficiente para garantir a segurança dos passageiros.

