Corujas rivalizou com Ferreira
Terra de fortes tradições que perduram na memória dos que ainda teimam em resistir à desertificação, Corujas foi, em tempos, rival da aldeia de Ferreira. Em causa estava a “disputa” pelo Monte Caúnha, que comprova a antiguidade do povoado, que integrava uma fortaleza mourisca, da qual se encontraram, em 1855, vestígios como moedas romanas e mouriscas.
As duas populações lutaram, também, pela posse do Santo Amaro, santo milagreiro de Corujas e freguesias vizinhas, cujo dia atribuído é 15 de Janeiro. Assim, os habitantes de Ferreira chegaram a levar a imagem para a sua terra, ao ponto de esconderem o Santo numa arca, de onde terá saído e regressado para o termo de Corujas até aos dias de hoje. Por isso, é ali que se celebra a festa em sua honra.
Atravessada por uma estrada nacional, a freguesia era, ainda, famosa por ser uma Estação de Muda, onde a Mala-Posta, o antigo meio de transporte dos correios trocava de cavalos. Para tal, ainda é possível ver uma grande pia de cantaria antiga, onde bebiam os animais.
Também a indústria da seda deu nome a Corujas, uma vez que, em 1830, a aldeia era conhecida pela criação de bicho-da-seda.
Antiga pertença da Real Casa de Bragança, que a fundou, a aldeia não pagava qualquer multa da parte das Câmaras de Bragança e Macedo de Cavaleiros.
Corujas deve o seu nome a “corujeira”, que significa, segundo o Abade de Baçal, povoação vil, pardieiro, sitio penhasco ou local próprio para criar corujas.
Freguesia ainda preserva alguns jovens
Apesar da desertificação e envelhecimento da população, Corujas mantém um elevado número de jovens. “Temos envelhecido como as outras aldeias, mas ainda temos bastante gente nova”, explicou o presidente da Junta de Freguesia, Dinis Rodrigues.
Com 150 eleitores, a localidade ainda preserva jardim-de-infância e, em parceria com mais seis freguesias, tem analisado a possibilidade de criar um equipamento de apoio aos idosos. “Existe o grupo Castanha Sete, constituído por sete aldeias que têm em comum a produção de castanha, que nas reuniões tem debatido a necessidade de avançar com algum tipo de apoio aos mais velhos”, adiantou o autarca.
A comprovar a ligação da aldeia à castanha, existe um castanheiro bravo com mais de 500 anos no Vale de Corujas, que, em tempos, chegou a produzir mais de 14 sacos de 50 kgs de castanhas só de uma “apanha”. Assim sendo, não é de estranhar que a tradição de São Martinho seja uma das mais conhecidas da localidade, já que é nessa noite que se vai à adega e se prova o vinho. Conta-se que, antigamente, ao invés de ser uma festa realizada apenas em família, a população se reunia para assar castanhas e percorrer todas as adegas da aldeia para provar o vinho novo e a jeropiga.

