Região

Outeiro: santuário de monumentos

Outeiro: santuário de monumentos
Imagem do avatar
  • 14 de Outubro de 2008, 10:33

A par deste templo setecentista, a aldeia guarda mais três monumentos classificados pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR). O pelourinho, levantado no século XVI, assinala os tempos em que a freguesia foi vila e sede de concelho, tendo-lhe sido concedido o foral Manuelino datado de 11 de Novembro de 1514. Erguido junto à antiga cadeia, que está a ser transformada num museu, este monumento é Imóvel de Interesse Público, tal como o cruzeiro implantado em frente à Igreja do Santo Cristo. Este marco histórico remonta ao século XVII e testemunha a vivência religiosa por aquelas paragens.
Já a Igreja Matriz, também denominada Igreja de Nossa Senhora da Assunção, construída no século XIII, está classificada como Imóvel de Interesse Municipal. O nascimento do templo, de estilo original Românico, remonta à época em que El-Rei D. Dinis mandou transferir a povoação de Outeiro para a parte Nordeste do cabeço onde ainda se podem encontrar as ruínas do Castelo. Esta estrutura defensiva fazia parte da linha de fortalezas militares que guardavam, em pleno século XIII, toda a fronteira Norte e Nordeste do Reino de Portugal. O Castelo de Outeiro viria a ser destruído na Guerra dos Sete Anos, altura em que as tropas espanholas, comandadas pelo Marquês de Sarriá, invadiram a Província de Trás-os-Montes. Nunca mais foi reconstruído.
Reza a história que o último governador do Castelo foi José Sarmento Fidalgo da Casa del Rei, natural de Freixo de Espada à Cinta, que se encontra sepultado numa campa rasa existente em frente ao altar-mor do Santuário do Divino Santo Cristo de Outeiro.

Outeiro recebe visitantes de diversos pontos do País e do estrangeiro que querem apreciar a beleza do Santuário do Divino Santo Cristo

A história é mesmo a maior riqueza de Outeiro, que fica a cerca de 20 quilómetros da sede de concelho. Por isso, uma das prioridades da Junta de Freguesia é preservar e conservar o património, que marca os tempos de glória de uma terra que foi perdendo força ao longo dos tempos. Neste âmbito está prevista uma intervenção ao nível do telhado e portas na Igreja do Santo Cristo, uma obra levada a cabo pela Câmara Municipal de Bragança e pelo IGESPAR.
“É um templo com mais de 300 anos que nunca sofreu obras. Além disso, também vamos restaurar a Igreja Matriz”, revela o presidente da Junta de Freguesia de Outeiro, João Paiva.
Numa freguesia tipicamente rural, o antigo celeiro também vai ser transformado numa sala de exposições de objectos e artefactos tradicionais, que faziam parte do quotidiano de antigamente. “Ainda andei no celeiro alguns anos e o trabalho era todo feito à mão e com animais. O celeiro recebia o cereal das freguesias vizinhas, que depois era transportado para a Moagem do Loreto, em Bragança”, conta João Paiva.
Tendo em conta que a freguesia faz parte da Rota da Terra Fria, Maria Amélia Cavaleiro, de 64 anos, conta que já guia as visitas de turistas que se deslocam de diversos pontos do País e até do estrangeiro. “Ainda na semana passada esteve cá um autocarro de Lisboa. Mas também vêm do Algarve, de Espanha, de França e até holandeses passam por aqui”, conta esta habitante.
Para melhorar a qualidade de vida das pessoas, a autarquia está a investir na substituição das redes de água e de saneamento. Além disso, também está previsto o arranjo do campo da feira, que ainda se realiza duas vezes por mês.
O maior projecto que vai ser posto a concurso ainda este mês é a construção, de raiz, de uma nova sede da Junta de Freguesia. Trata-se de um investimento na ordem dos 500 mil euros, que contempla balneários, garagens, um forno comunitário, um salão com cozinha regional, a sede da Junta, uma sala de reuniões e o posto médico.

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Imagem do avatar
Written By
Redação