Perigo espreita na Linha do Tua
Passados 8 anos, os mecanismos ainda não existem, apesar do estudo também ter detectado 119 zonas que constituem perigo para a circulação no troço ferroviário Tua-Codeçais.
Estas indicações fazem parte do Relatório Geotécnico da Linha do Tua, elaborado entre Maio e Novembro de 2000 por três técnicos do departamento de Conservação – Via e Geotecnia da REFER.
Ao longo dos 54 quilómetros de ferrovia, entre o Tua e Mirandela, uma equipa formada por Rui Malva (geólogo), Mário da Cruz Neto (responsável pela Geotecnia) e Aureliano Lemos (responsável pela Via e Geotecnia) passaram a linha a pente fino e encontraram inúmeras situações de insegurança. “Porque a situação de instabilidade já vem de há muito tempo e se agravou ultimamente, urge tomar uma atitude”, avisaram os técnicos.
Em Maio de 2000, o estudo dá conta de 75 zonas onde o risco de desprendimento de blocos rochosos é iminente, numa extensão de 13,5 quilómetros, entre as estações do Tua e de Santa Luzia. Em Agosto do mesmo ano, os peritos revelam os resultados da inspecção levada a cabo entre Santa Luzia e Codeçais, tendo detectado mais 44 pontos perigosos, numa extensão de cerca de 22 quilómetros.
Documento revela perigos de derrocada em algumas massas rochosas junto à via férrea
O documento revela que se verificam fracturas por entre o maciço granítico, “pondo em perigo de derrocada algumas massas rochosas”.
Para minimizar os riscos é recomendada a aplicação de cabos de aço, vigas em betão para escoramento, bem como o uso de malhas de rede metálicas nas zonas com blocos menores. É também sugerido a aplicação de sistemas de detecção e aviso de queda de rochas nos locais onde é difícil realizar os trabalhos de sustentação do maciço rochoso e os custos são muito elevados.
As recomendações chegaram, mesmo, a ser alvo de um plano de investimentos no valor de 236 mil euros para a intervenção em 142 taludes.
No entanto, o administrador delegado do Metro de Mirandela, Milheiro de Oliveira, afirma que só tem conhecimento da colocação de redes em malha metálica e de cabos de aço ao Km 6.900, na zona do apeadeiro de Castanheiro. Ou seja, no local onde ocorreu o primeiro acidente com vítimas mortais, a 21 de Fevereiro de 2007.
Milheiro de Oliveira salienta que a REFER sempre fez alguns trabalhos de manutenção da linha, ao nível da limpeza, verificação e substituição de algumas travessas, só que os sistemas de aviso e detecção de queda de pedras continuam na gaveta. “Não tenho conhecimento”, sustenta o responsável, acrescentando que “para manter a Linha do Tua a funcionar é preciso investir na sua segurança”
Metro de Mirandela só conhece redes e cabos de aço no local do acidente de Fevereiro 2007
Os trabalhos de consolidação da linha e automatização de passagens de nível, no valor de 8 milhões de euros, foram anunciados no início do ano passado, após o primeiro acidente trágico.
Na mesma altura é encomendado um novo estudo para elaborar mapas de risco nos 54 quilómetros entre o Tua e Mirandela. Desta vez, a tarefa não é entregue à equipa de Conservação – Via e Geotecnia da REFER, mas a uma entidade privada, o GEG – Gabinete de Estruturas e Geotecnia, que tem vindo a desenvolver o trabalho no período 2007-2008.
Depois do quarto acidente, que ocorreu no passado dia 22 de Agosto, a linha continua encerrada entre o Cachão e o Tua.
O Jornal NORDESTE contactou a REFER para saber qual o ponto dos trabalhos recomendados há oito anos, mas não obteve qualquer resposta até ao fecho desta edição.

